Livros e Filmes para entrar no clima de uma viagem para a Rússia

Antes de viajar para um país, eu gosto de ler livros e ver filmes de artistas locais, ou de gente que visitou o país. Na Rússia, que tem minha literatura preferida, cheguei em um nível novo de obsessão. Como já é costume, estou compartilhando alguns que amei e que acho que viajantes gostariam de conhecer, sem nenhuma pretensão de ser uma lista completa. Tô separando os livros e filmes pela época que eles retratam, só para ficar mais fácil já que a lista ficou enorme.

 

Século XIX

Evgueni Onieguin – Puchkin

A história em versos de Evgueni Onieguin parece uma história típica do século XIX, mas é considerada uma das obras fundadoras da literatura russa. Também é uma ótima introdução a Pushkin, o pai da literatura russa. O romance conta a história de Oneguin, um aristocrata entediado do luxo de Petersburgo que parte para o campo. Ele conhece a família vizinha, e condescendentemente rejeita a afeição da filha mais nova, Tatiana. O romance em versos conta a história da tragédia que se segue.

 

O Cavaleiro de Bronze – Puchkin

Esse poema conta a história de um pequeno funcionário, Evgueni – talvez o primeiro na literatura russa – que vive em Petersburgo durante a enchente de 1824. Ele se vê isolado na praça do senado, em frente à enorme estátua de Pedro, o Grande, o cavaleiro de bronze, e não consegue chegar à casa de sua amada, que morre durante a enchente. O livro começa com uma visão grandiosa da cidade, e do tsar que a construiu por pura vontade, contra a natureza, e passa para o lado do pequeno funcionário preso entre essa guerra de gigantes.

Cavaleiro de bronze estatua pedro grande mito petersburgo
Foto do post sobre o mito de Petersburgo, que tem relação com a estátua

O Capote – Gogol

“Todos nós viemos do Capote”, disse Dostoiévski em mais de uma ocasião. Ele conta a história de um funcionário miserável em Petersburgo, Akaki Akakievitch, cujo sobretudo esfarrapado é sempre o alvo das piadas no escritório. Ele fica obcecado com a idéia de comprar um casaco novo e extravagante, e como isso poderia transformar sua vida.

Moscou casa de gogol

O Herói do nosso tempo – Lermontov

Alguns o chamam de o primeiro romance psicológico escrito na Rússia, e o autor era visto como um predecessor pelos grandes romancistas que vieram depois. Ele conta a história de Petchorin, um jovem oficial russo estacionado no Cáucaso.

 

Crime e Castigo – Dostoiévski

Dostoiévski é meu escritor preferido, e por isso é difícil não colocar todos os livros dele na Rússia. Acabei decidindo colocar Crime e Castigo porque é o romance fundamental de Petersburgo, e eu passei um bom tempo lá visitando os lugares do livro. A história é a de Raskolnikov, um estudante empobrecido e adoentado em Petersburgo que fica obcecado com uma teoria, a de que existem pessoas ordinárias e extraordinárias, e de que assassinar uma velha usurária pode provar isso.

A Casa de Raskolnikov Dostoievski Crime e Castigo Petersburgo

Pais e filhos – Turgueniev

O clássico responsável por uma das maiores polêmicas da literatura russa. A história é a de Arkádi Nikolaievitch, que volta para a propriedade de sua família após formar-se na faculdade, e traz o seu amigo Bazárov, um médico que despreza autoridades e se chama um “niilista”.

 

Anna Kariênina – Tolstói

“Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira.” No começo de Anna Karenina, a personagem que dá o nome ao romance vai a Moscou para ajudar a salvar o casamento do irmão infiel, Stiva. O livro vai mostrar a diferença de tratamento quando quem é infiel é uma mulher. O romance ainda os contrasta com outra família, a de Levin, visto como um retrato do autor.

Moscou casa Tolstoi exterior
A casa de Tolstói que visitei em Moscou

A Dama do Cachorrinho – Tchekhov

Tchekhov é celebrado por ter revolucionário a escrita da narrativa curta. Tanto os seus contos quanto as suas peças são muito famosos e muito lidos até hoje. E a Dama do Cachorrinho foi considerada por Nabokov como um dos melhores contos já escritos.

 

Século de Prata

Insolação – Ivan Bunin

Bunin, o primeiro russo a ganhar um Nobel de literatura, merece atenção pelos contos. O conto do título, por exemplo, conta o caso breve entre um tenente e uma mulher casada, que ela culpa na insolação que teve.

 

Petersburgo – Andrei Bieli

Um romance simbolista, herdeiro das tradições de Petersburgo e do clima pre-revolucionário. O romance se passa em 1905, o ano do “ensaio-geral” da Revolução, e conta a história de Nikolai Apollonovich Ableukhov, um estudante que se associa a um grupo niilista e recebe a missão de colocar uma bomba no estúdio de seu próprio pai. Nabokov o considerava um dos quatro grandes romances do início do século XX, com Ulisses, Em Busca do Tempo Perdido e A Metamorfose.

 

Tenente Quetange – Tinianov

Ao cometer um erro de tipografia, um amanuense cria um homem – ele deveria escrever “que tange”, mas escreve “Quetange”. Quetange ganha vida própria na Rússia tsarista, recebendo promoções e reprimendas em uma trama que zomba do autoritarismo e da burocracia.

 

Oblomov – Gontcharin

A figura de Oblomov, o rico senhor de terras que passa os dias de roupão sem fazer nada e demora quarenta páginas para levantar da cama, foi muito influente na cultura russa, a ponto de Lenin dizer que o problema do Oblomovismo precisava ser resolvido.

 

A Revolução e a Guerra Civil

O Exército de Cavalaria – Babel

Os principais contos de Bábel, em que ele conta suas experiências na Guerra Civil Russa, em algo entre o autobiográfico e o jornalístico. Eles podem ser brutais, e não é uma leitura fácil, mas uma com “sabor acre de sangue e terra”, como disse Schnaiderman.

 

O Percevejo – Vladimir Maiakóvski

Um dos maiores nomes da poesia russa, e conhecido como poeta da Revolução, Maiakóvski também era celebrado como dramaturgo. Essa peça especialmente é conhecida como um ponto de virada na sua obra, o momento em que o entusiasmo com a Revolução dá espaço à uma visão mais crítica. Como muitas de suas peças, ela mistura ritmos da época: jingles, canções, política e ficção científica.

 

Memories – Teffi

Teffi era uma das escritoras mais populares da Rússia antes da revolução, uma das preferidas de ambos o imperador Nicolas II e de Lenin. Durante a Revolução, ela preferiu escapar da Rússia, e é essa a história que ela conta nas suas memórias, da fuga de carruagem, trem e navio.

 

Os Doze, Blok

O poema Os doze foi uma das primeiras respostas à Revolução de Outubro. Descrevendo a marcha de doze soldados bolcheviques por Petrogrado, comparando-os aos doze apóstolos. Blok era considerado o maior poeta de sua época, e o poema é cheio de ritmos polifônicos, de gíria. O autor depois teve uma posição mais ambígua em relação à revolução, como eu vi quando visitei seu museu em Petersburgo durante a Noite dos Museus.

Petersburgo Noite dos Museus casa blok doze

Inveja, Oliecha

Um clássico soviético frequentemente comparado a Nabokov e Bulgakov, Inveja é uma sátira da vida de um bom cidadão soviético. Andrei tenta revolucionar a produção de linguiça na União Soviética, e um dia ele encontra Nikolai bêbado na rua e lhe dá um quarto e um trabalho. Nikolai aceita, mas não quer dizer que ele seja grato, e ele inveja e despreza tudo que Andrei faz.

 

Nós – Zamiatin

Nós é considerado por muitos a primeira distopia já escrita. Em uma sociedade futura, em que a população mundial foi reduzida a 10 milhões de pessoas, uma sociedade é controlada pelo Estado Único. As pessoas não têm nomes, mas são conhecidas por números, e não há espaço para o indivíduo. O romance é o diário de D-503, que quer mostrar como esse sistema é perfeito, mas entra em dúvida quando se apaixona por uma mulher, e passa a ter sentimentos há muito reprimidos, como o sonho e a fantasia.

 

Encouraçado Potemkin – Eisenstein

Hoje reconhecido como um dos maiores clássicos da história do cinema, Encouraçado Potemkin conta a história de uma rebelião de marinheiros em Odessa durante o tsarismo. É uma história verdadeira, em que a condenação dos marinheiros à morte provocou uma luta entre civis e as tropas do governo. Também tem uma das cenas mais famosas do cinema, nas escadarias de Odessa, que é um dos maiores motivos pelos quais quero visitar a cidade.

Potemkin-3

Doutor Jivago – Pasternak

O romance épico de Iuri Jivago, um médico que vê no turbilhão da Revolução e da Guerra Civil, e se apaixona por Lara, a esposa de um revolucionário. Pasternak era mais conhecido por seus conterrâneos como poeta – o romance só apareceu oficialmente na Rússia no final dos anos 80 – e os dois são mostrados aqui, com os poemas de Jivago.

 

Fogo Pálido – Nabokov

Um poeta é assassinado na porta de sua casa, deixando um manuscrito. O livro é publicado, com notas “explicativas” adicionadas pelo seu vizinho, Kinbote, o rei em exílio de Zembla, um país no leste Europeu, e que não tem nada a ver com os versos. O livro é todo escrito por uma pessoa, que brinca com as duas narrativas? Quem? Kinbote é realmente um rei em exílio, ou um professor louco?

Casa museu Nabokov Petersburgo interior da casa
Visitando o Museu Naboov, dedicado ao xadrez, borboletas, jogos e línguas e suas outras obsessões

Stalinismo e Segunda Guerra

Réquiem – Anna Akhmatova

Akhmatova foi por anos ignorada como uma mulher que escrevia poemas de amor. Depois, nos anos em que ela foi proibida de publicar, e seu filho e marido foram mandados para o Gulag para silenciá-la. Esse ciclo de poemas fala do terror Stalinista, e é leitura fundamental para quem quer aprender mais sobre ele. O museu da Akhmatova foi outro dos meus preferidos, e também visitei a estátua que a retrata, a pedido seu, olhando para a prisão Kresty, onde seu filho foi preso.

Petersburgo, estátua de Anna Akhmatova em frente à prisão de Kriesty

Mestre e Margarida – Bulgakov

Publicado décadas depois da morte do autor, essa é uma sátira devastadora da Rússia dos anos 30. O diabo resolve visitar Moscou, onde ninguém acredita nele, mas onde ele pode expor a ganância e a mesquinhez dos moscovitas. A sua história se confunde com a do Mestre, que está sendo perseguido por escrever um livro sobre Pôncio Pilatos, e com o meio literário da cidade. Esse foi outro livro cujo itinerário segui em Moscou, procurando os lugares onde ele se passa.

lagos do patriarca placa mestre e margarida bulgakov não fale estranhos

Queimado pelo Sol – Nikita Mikhalkov

O filme conta a história de Serguei Kotov, chefe de uma família de elite durante a Segunda Guerra e General do Exército Vermelho, durante os grandes expurgos dos anos 30, e como ele lida com um sistema em que culpa não determina o que acontece com os perseguidos pelo sistema.

 

A infância de Ivan – Tarkovski

O primeiro longa de Tarkovski, o filme acompanha Ivan, um menino de doze anos cujos pais e irmã mais nova foram mortos durante a invasão alemã. Ele que vingança, e insiste em se unir aos partisans. Apesar de tentativas de colocá-lo em uma escola, ele insiste em permanecer na linha de frente e lutar.

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Vida e Destino – Grossman

Vida e Destino é um épico moderno, o Guerra e Paz da Segunda Guerra na União Soviética. O romance acompanha Viktom Shtrum, que cresceu na União Soviética secular, mas a cada dia mais se percebe como um judeu ucraniano graças ao anti-semitismo e à perseguição tanto na Rússia de Stalin quanto na Alemanha nazista. O livro se torna a cada momento mais fragmentado, acompanhando personagens em uma disputa insensata por uma casa no meio do conflito ou em campos de concentração nazista. A mãe do autor morreu em um gueto nazista na Ucrânia, e é impossível não ver na carta que a mãe de Shtrum envia do gueto as palavras que Grossman queria ter escutado.

 

Vá e veja – Klimov

Anos depois, ainda é um dos filmes mais pesados que já vi. Por um lado, é bom, porque um filme de guerra que tenta contar sobre a brutalidade infligida nas populações civis não poderia deixar de ser horrível de assistir, por outro, você precisa estar no estado de espírito certo para dar conta de ver. O filme segue um adolescente bielorrusso que se junta à Resistência e vê as atrocidades cometidas pelo exército que atravessa o país.

 

Um dia na vida de Ivan Denisovitch – Soljenitsin

O romance acompanha Ivan Denisovich em um dia no cotidiano dos Gulags, em que ele tenta manter a dignidade. O autor é um sobrevivente dos Gulags, e escreveu extensivamente sobre eles em obras como Arquipélago Gulag. Essa novela é uma boa introdução à sua obra e às perseguições do Stalinismo.

 

A Morte de Stalin – Armando Iannucci

Não sei vocês, mas quando um filme é proibido, eu tenho ainda mais vontade de ver. Esse filme é de Armando Iannucci, conhecido pela sátira política feroz de Veep, e se volta para a União Soviética, rindo da burocracia, da ambição e dos acordos feitos após a morte de Stalin.

 

Contos de Kolimá – Shalamov

Shalamov também escreve sobre suas experiências no Gulag, onde ele passou quase vinte anos. E Kolimá, no nordeste da Sibéria, era uma das áreas mais difíceis, “onde um cuspe congela no ar antes de tocar a terra”. Quando ele voltou a Moscou, escreveu os contos, mais de duas mil páginas sobre a sua experiência lá.

 

Segunda metade período soviético

Moscow is Calling – Iuli Daniel

Um dos livros considerados responsáveis por terminar com o degelo de Khruschev, e cuja publicação fora da Rússia causou a prisão do autor em um Gulag. Ele conta a história distópica de um dia onde homicídios são liberados, anunciado nas estações da União Soviética do futuro.

 

The Big Green Tent – Ulitskaya

O grande romance de dissidentes na União Soviética. Ele fala de jovens que crescem visitando as casas de seus escritores preferidos e trocando romances proibidos, e tentam continuar em uma sociedade em que seus heróis são censurados ou exilados.

 

Moscow to the End of the Line – Erofeev

Um dos melhores romances do período soviético, ele conta a história de um capataz que é demitido depois que sua equipe inteira aparece bêbada no serviço. Ele gasta o resto do seu dinheiro com mais álcool e pega o bonde de Moscou até o fim da linha, discutindo a vida na União Soviética com outros passageiros.

 

Moscou não acredita em lágrimas – Vladimir Menshov

O filme conta a história de três mulheres de cidades pequenas que se mudam para Moscou nos anos 50, e suas vidas pelos próximos vinte anos. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 81.

 

Menos que Um – Brodsky

Brodski é mais um na lista cuja reputação começou como poeta, o sucessor escolhido por Anna Akhmatova. Depois, ele foi expulso da União Soviética acusado de “parasitismo”, de não ter um trabalho. Ele se mudou para os EUA influenciado por outro poeta, Auden. Mas o volume que eu escolhi é de ensaios, com evocações da vida na União Soviética e do cotidiano de exilado. Seu conto Um Quarto e Meio é uma das leituras mais impressionantes para quem se interessa pela União Soviética.

 

The time: night – Petrushevskaya

A gente finalmente tem alguns dos contos da Petrushevskaya publicados em português, mas ainda vou recomendar um que ainda não foi porque é meu preferido. Ele é narrado por Anna Andrianova, uma poeta mal-sucedida com uma relação difícil com a própria filha. É um relato das dificuldades e falta de perspectiva no fim do período soviético.

 

The Foundation Pit – Andrey Platonov

O romance conta a história de um grupo de trabalhadores na União Soviética. Todo dia eles cavam um enorme buraco, que deverá servir de fundação para um edifício soviético, mas a monotonia do trabalho os aliena, e aos poucos eles deixam de entender o significado de seus trabalhos e das suas vidas.

 

A mala – Dovlatov

Quando o narrador de Serguei Dovlatov chega nos Estados Unidos, para onde ele parte como imigrante, ele leva só uma mala. No paraíso do consumismo, ele nem chega a abri-la, o que ele só faz anos depois, quando seu filho está brincando no closet e encontra a mala. Cada um dos itens então o lembra de sua vida anterior: as meias finlandesas de quando ele tentou entrar no mercado negro, o terno bom de quando ele teve ajuda da KGB para exigi-lo da redação. Dovlatov viveu entre os literatos de Petersburgo, entre os guardas do Gulag e depois entre seus prisioneiros, entre os pequenos ladrões e bêbados, e por isso cada história conta uma vida diferente, e todas as margens da sociedade soviética. Ele foi nossa escolha para o Volta ao Mundo em Livros. Leia mais aqui.

 

Omon Ra – Victor Pelevin

O romance conta a história de Omon, que está treinando para ser um cosmonauta na URSS. Quando ele começa o programa, ele descobre como o sistema na verdade é atrasado, transformando o romance em uma sátira do mito da ciência na URSS e na obsessão com os grandes realizações.

 

Russia Atual

Day Of The Oprichnik –  Vladimir Sorokin

O livro se passa na Moscou de 2028, onde o tsarismo voltou ao poder. O romance segue um oprichnik, parte das suas brutais forças de segurança. É uma paródia com muito humor negro do governo de Vladimir Putin, como eu percebi quando fui em Tsaritsyno, o parque de Catarina, a Grande, recentemente “terminado” por aqueles que se consideram seus herdeiros.

Tsaritsino parque Catarina Moscou 15

O Fim do Homem Soviético – Aleksievitch

Acho que o comitê do Nobel fez uma das descrições mais apropriadas da obra de Aleksievitch quando as chamaram de um concerto polifônico. Ao tratar o fim da União Soviética, a autora entrevista prisioneiros dos campos stalinistas, soldados que lutaram na Segunda Guerra e na Guerra do Afeganistão, vítimas das guerras que assolaram o Cáucaso com o fim da União Soviética, pessoas que enriqueceram, professores universitários que acabaram na miséria, e muitas outras pessoas. Com isso, ela consegue montar um relato que mostra como a ilusão do socialismo, que se mostrou tão corrupto e violento na Rússia, deu lugar a um capitalismo também corrupto e violento. Como a ilusão de liberdade e prosperidade que viriam com o fim do regime deram lugar à privataria e miséria para a maioria das pessoas. É um livro nitidamente russo – em que outro lugar tanta gente citaria romances clássicos nas entrevistas – e claramente tentando fazer sentido nas últimas décadas de história, e por isso difícil de classificar.

 

Dostoiévski Trip – Sorokin

Cinco homens e duas mulher esperam pela chegada de um traficante de drogas. Eles discutem o efeito de outras: Céline pode ser achado em qualquer esquina, Faulkner te transforma em um débil-mental em um mês, Tolstói dá um barato imenso, mas no final é uma merda, Nabókov é absurdamente caro, Edgar Poe é muito forte.

O traficante finalmente chega, e lhes oferece uma droga nova, chamada Dostoiévski. Eles a tomam, e começa a trip. A peça é muito boa, e recomendo especialmente para quem já leu O Idiota, de Dostoiévski.

 

Irmão – Aleksei Balabanov

Esse filme é considerado uma resposta russa aos filmes de gângsters americanos. Ele conta sobre o vácuo de poder na Rússia pós-soviética, e a realidade do submundo de São Petersburgo nessa época.

 

Arca Russa – Sokurov

Esse filme de Sokurov é imensamente ambicioso: um tour pelo Hermitage, em que a cada vez que a câmera entra em uma sala, se vê em um período diferente da história russa. Encontramos visitantes de hoje, um guarda no porão semi-abandonado durante a Segunda Guerra e um enorme baile da aristocracia, entre outros, com centenas de atores agindo sincronizadamente no filme gravado em uma só tomada. Ele foi nossa escolha para o Volta ao Mundo em Filmes. Leia mais aqui.

RUSSIAN ARK / RUSSKIJ KOVCHEG

Leviathan – Andrey Zvyagintsev

Um dos melhores filmes do controverso Zvyagintsev, também responsável por filmes como O Retorno e Elena. Ele conta a história do mecânico Kolia, sua segunda esposa Lilia e seu filho Roma, enquanto o corrupto prefeito da cidade tenta expropriar a casa onde eles vivem.

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The hottest dishes of the Tartar cuisine – Alina Bronsky

O romance é narrado por Rosa Achmetowna, que nos dá um vislumbre da sua cultura, a tártara e uma visão menos monolítica da Rússia. Ela é uma mulher tártara difícil e ofensiva, que se intromete na vida da filha, “a estúpida Sulfia”, quando ela engravida. Ela decide criar a neta, Aminat, uma criança inteligente, e o livro segue a vida das três.

 

É Difícil Ser um Deus – Arkady e Boris Strugatsky

Romance de ficção científica, dos mesmos autores que também escreveram Piquenique na Estrada. Ele se passa em um planeta em que a Renascença foi reprimida, e que ainda está na Idade Média. Ele mostra como o progresso e a religião podem ser forças violentas.

 

As Noites Brancas do Carteiro – Andrey Konchalovsky

O filme se passa em uma vila no norte do país, em uma sociedade isolada da Rússia do século XXI. Seu único contato é um carteiro. O filme foi celebrado como um quase-documentário.

 

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