Uma Noite dos Museus em Petersburgo

A Noite dos Museus é um evento enorme em que 33 países europeus organizam uma programação noturna em mais de dois mil museus. Mas em Petersburgo ela se confunde com a chegada da primavera, que é uma festa enorme em um lugar tão frio, e das Noites Brancas, a época do ano em que o sol não se põe completamente. Então o clima é de festa como eu nunca vi antes.

Em Petersburgo eram mais de cem museus participantes, com cinco linhas de ônibus especiais que passavam por todos eles e o metrô funcionando a noite inteira e gratuito para quem tivesse o ingresso combinado dos museus. Meses antes eles já estavam divulgando a programação e eu já estava tentando escolher os meus. Então esses foram meus escolhidos, e um pouquinho sobre a experiência.

 

Museu Número 1 – Mansão Rumiatsev

 

Comecei a visita com a Mansão Rumiantsev. Ela abriga um museu dedicado a contar a história da Rússia depois de 1917 (a história antes de 1917 é contada na Fortaleza de Pedro e Paulo). A coleção lá é extensa, mas nem sempre está em exibição. A parte sobre a Segunda Guerra, chamada de “Leningrado durante a Grande Guerra Patriótica” é bem tocante e inclui por exemplo o diário de Tania Savicheva, uma menina que morreu no cerco, mas o resto varia muito, é bom checar as exposições temporárias.

Durante a Noite dos Museus, eles fizeram exposições sobre a Revolução, contando como era a vida para as pessoas comuns naquela época. Eles falavam das transformações dos palácios, das músicas que eram populares, e faziam um pequeno teatro para mostrar um pouco mais. Além disso, tinha uma exposição temporária sobre a Belle Époque em Petersburgo.

 

Museu Número 2 – Casa de Aleksandr Blok

 

A segunda parada, lá pertinho, foi a casa de Aleksandr Blok, considerado por muitos o maior poeta da Era de Prata da literatura russa (a Era de Ouro foi um século antes, a de Pushkin e Lermontov). Anna Akhmatova, Marina Tsvetaeva, Boris Pasternak e Vladimir Nabokov eram alguns de seus admiradores, e todos os quatro escreveram versos em sua homenagem.

Ele escreveu muitos poemas sobre Petersburgo, a cidade que ele amava, mas ele é mais conhecido por seu longo poema Os Doze. Nele, ele acompanha doze soldados bolcheviques pela Petrogrado revolucionária. Foi bem polêmico na época, mas ainda hoje é admirado pela forma como incorporou sons e gírias. Depois Blok passou três anos sem escrever, decepcionado com a Revolução. Ele morreu em 21, muito doente e sem conseguir um visto para se tratar no exterior.

O museu é composto do apartamento onde o poeta viveu, preservado com os móveis da época, de uma grande exposição sobre o poema Os Doze e de centros de atividades. Quando eu fui lá, ele estava cheio de fãs, que liam em voz alta seus poemas preferidos. Muitos estavam vestidos como o poeta, ou com roupas da Belle Époque.

 

Museu Número 3 – Museu da Música

 

O Palácio Sheremetev foi construído por uma das famílias mais ricas da Rússia. Durante a Revolução, ele foi transformado no Museu da Nobreza, enquanto o anexo no jardim foi dividido em apartamentos. A Anna Akhmatova morou em um deles, e por isso ainda dá para visitar o museu dela lá. Em 1989, ele foi entregue ao Museu do Teatro e da Música, assim como a coleção estatal de Instrumentos musicais.

Durante a Noite dos Museus, ele oferecia dois percursos. Comecei pelo primeiro, que era justamente pela coleção de instrumentos musicais.

Depois fiquei na fila para o segundo, que era um itinerário para contar a história do palácio e da família Sheremetov. Sendo coerentes com os museus, a fila passava por vários concertos.

Esse foi um dos museus mais cheios que vi. Sai em torno de uma da manhã e a fila do lado de fora só crescia.

 

 

 

Museu Número 4 – Arts Square

O quarto museu da noite foi o Arts Square, uma galeria de arte. Eles tinham uma exibição com estátuas de Dali, e, como o museu era pequeno mas o interesse era grande, tive que ficar um bom tempo na fila. Ele também estava lotado, mas valeu a pena, porque era Salvador Dalí.

 

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O lugar também é onde ficava a casa da bailarina Anna Pavlova, e por isso um quarto é dedicado a ela.

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Museu Número 5 – Filarmônica Shostakovitch

O plano da filarmônica era de ter 12 concertos, um começando a cada hora, transitando entre jazz, Ravel, Beethoven. Como ela é enorme, tava sem fila, o que foi ótimo depois dos dois últimos.

Eu cheguei lá para o concerto das três, com instrumentos de corda e outros típicos do Cáucaso. O concerto se chamava “Quintet of Four. Metamorphosis of one Ensemble”, e tocou de clássicos russos, como Mussorgski e Tchaikovski, a Nirvana.

Às quatro começou um grupo A Capella, e eu tomei isso como um sinal que era hora de ir para casa.

 

O fato de que foi a segunda vez na noite que ouvi essa música confirma que os anos 90 estão na moda até na Rússia

Essa foi a minha Noite dos Museus, e recomendo demais. Se você não fala russo, preste atenção no que cada museu oferece. Teatros e palestras geralmente não tem tradução, e é melhor escolher exposições e espetáculos de dança e música.

A primavera na Rússia foi cheia de festivais. Fiz um post contando sobre eles aqui, não perca se você quiser visitar nessa época.

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