22 lugares para visitar se você se interessa pela Segunda Guerra

Nós vivemos em uma época de negacionismo. A cada dia mais, vemos museus que negam ou minimizam o Holocausto sendo abertos na Europa, como a Casa do Terror, em Budapeste, uma lei na Polônia tenta proibir a discussão sobre o papel do país no Holocausto, e uma pesquisa recente nos contou que 41% dos estadunidenses não sabem o que é Auschwitz.

Milhões de pessoas foram mortas durante a Segunda Guerra pelo que elas eram: judeus, roma, deficientes físicos, homossexuais, civis em uma cidade bombardeada, sitiada, esfomeada. Milhões foram mortos por exercer liberdades fundamentais, de pensamento, de crença, de associação.

Para quem gosta de aprender mais sobre a Segunda Guerra, algumas visitas podem ser prazerosas, outras serão sempre difíceis, mas o ponto é justamente esse: encarar a nossa história e sermos transformados por ela. Claro que tem como fazer isso sem viajar, nós já fizemos um post com sugestões de livros e filmes para ler antes de visitar um campo de concentração que também serve para quem ainda não consegue ver esses lugares pessoalmente, mas quer aprender. Mas se você pode visitar esses lugares, não perca a oportunidade.

Espero que essa lista sirva de inspiração para quem se interessa pelo tema, ou quer aprender mais sobre a Segunda Guerra para que possamos construir um mundo em que a memória dos que sofreram na guerra seja respeitada, e em que isso não ocorra de novo.

1) Pedras de Tropeço

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Foto tirada em Berlim

As pedras de tropeço começaram em Berlim, mas hoje são sessenta mil, espalhadas em toda a Europa. Elas são pequenas pedras douradas que servem como memoriais em lugares onde judeus, ciganos, homossexuais, comunistas, pessoas com deficiência e outros perseguidos pelos nazistas costumavam viver antes do Holocausto.

 

2) Museu da Anne Frank, Amsterdam

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Um dos símbolos mais comoventes de qualquer guerra é o que ela faz com pessoas comuns. Anne Frank tinha treze anos quando foi obrigada a viver em um anexo secreto, escrevendo no diário sobre como ela sonhava em poder andar na rua, tomar sol e rir alto. Três anos depois, ela seria assassinada em Auschwitz, e seu pai publicaria o diário. Hoje o anexo pode ser visitado, com as paredes cheias de fotos de astros de Hollywood e depoimentos de seus amigos, e ver um lado pessoal demais da guerra e do preconceito.

 

3) Homomonument, Amsterdam

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Amsterdam foi a primeira cidade do mundo a fazer uma homenagem aos homossexuais que foram perseguidos pelos nazistas, e o fez justamente com o símbolo que eles recebiam nos campos de concentração: o triângulo rosa.

 

4) Fábrica do Schindler, Cracóvia

A foto à esquerda é de dentro do museu, a segunda é de outro lugar que visitei na cidade, a praça dos mártires do gueto.

A Fábrica de Schindler, no gueto judaico de Cracóvia, foi transformada em um museu que conta a história de Cracóvia entre 1939 e 1945, com uma sessão especial que conta a história de Schindler, o industrial que salvou centenas de judeus durante o Holocausto. Muita gente vai para lá depois de ver A Lista de Schindler, que foi filmado não no gueto, mas no bairro judeu vizinho, Kasimierz, que também vale a pena incluir na visita. 

Leia mais: O Gueto de Cracóvia e o Museu do Schindler

 

5) Auschwitz, Cracóvia

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Se você já viu filmes sobre a Segunda Guerra, às vezes acha que sabe o que esperar de Auschwitz. Mas ver os lugares onde tantas pessoas foram assassinadas, ver os brinquedos tirados deles, os aparelhos ortopédicos, o cabelo, é algo para o qual é impossível se preparar. Quando eu visitei, eu comecei a visita em um tour, ouvindo as histórias da guia, e depois fiquei mais para ler as histórias nos galpões dedicados a cada país.

Leia mais: Visitando o que resta de Auschwitz

 

6) Museu da Insurreição do Gueto, Varsóvia

Depois de meses contrabandeando armas, os judeus presos no gueto de Varsóvia se insurgiram, no que ainda é lembrado como o maior ato de resistência durante a Segunda Guerra.

 

7) Memorial dos Sapatos, Budapeste

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Em janeiro de 1945, em pleno inverno perto do fim da guerra, os nazistas levaram judeus à beira do Danúbio, em Budapeste, mandaram que eles tirassem os sapatos, e dispararam. Hoje um memorial de sessenta sapatos de bronze lembram o massacre. Outros lugares em Budapeste também valem muito a pena para quem se interessa pela Segunda Guerra, como a Sinagoga Dohány, um maravilhoso prédio Art Nouveau com um jardim que lembra todos que se arriscaram para salvar judeus, e que foi nomeado em honra ao diplomata sueco Raoul Wallenberg, que foi a Budapeste para tentar salvar tantos judeus quanto conseguisse.

Leia mais: lugares da Segunda Guerra em Budapeste

 

8) Bunker do Churchill, Londres

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No Bunker, a gente vê o melhor da tecnologia e espionagem da época, e foi um lugar onde estratégias para a guerra eram desenvolvidas e discutidas. Churchill continua uma figura controversa – Gandhi chegou a dizer que o que Hitler era para a Europa, ele era para a Índia, mas o bunker dá uma visão de por trás dos bastidores que ainda vale a pena.

Leia mais: O Bunker do Churchill em Londres

 

9) Metrô de Londres

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Crédito: divulgação do London Transport Museum

Em várias cidades da Europa, sistemas de metrô foram convertidos em abrigos anti-aéreos às pressas, quando a guerra começou. Estações desativadas também foram usadas para transmissões e outros esforços de guerra. Eu tenho muita vontade de fazer os tours temáticos do London Transport Museum, ainda não consegui porque eles são infrequentes e caros, mas mesmo assim estão na lista porque parecem muito interessantes.

Leia mais: Vestígios da Blitz, os bombardeios de Londres

10) Sinagogas de Praga

As sinagogas de Praga foram preservadas por ordem de Hitler: ele pretendia que elas se tornassem um museu para a extinta raça judaica. Hoje você pode visitar quatro sinagogas com o mesmo bilhete, e elas formam juntas um museu sobre a história dos judeus na República Tcheca.

Leia mais: Três lugares que contam a história de Praga na Segunda Guerra: Parte III, Museu Judaico

 

11) Igreja de São Cirilo, Praga

A Igreja de São Cirilo conta uma história que parece ficção: a do assassinato de Heydrich, um nazista de alto-escalão que tinha ficado conhecido como Carrasco de Praga. Depois do atentado, os dois resistentes se esconderam nessa igreja, enquanto o governo nazista lançava uma campanha enorme de perseguição que apagou cidades inteiras do mapa. Eventualmente eles descobriram onde eles estavam, e é a batalha entre sete resistentes e 750 soldados que é contada na cripta da Igreja.

Leia Mais: Três Lugares que contam a história de Praga na Segunda Guerra: Parte II, Igreja de São Cirilo

 

12) Terezín, República Tcheca

Terezin era conhecido como um campo-propaganda. Os nazistas fingiam que estavam apenas [sic] deportando os judeus para cidades mais ao leste, e usavam Terezin para montar uma farsa de que essas cidades eram auto-geridas. Ela chegou a ter uma inspeção da Cruz Vermelha, em que os representantes da organização andaram por uma rota pre-determinada no campo, sem notar as mensagens que os prisioneiros tentavam passar quando tocavam músicas como a canção popular “eu me fiz bela para você”.

Por causa da farsa, muita da produção artística de Terezin foi preservada, inclusive os desenhos das crianças, que são uma das partes mais tocantes do museu.

Leia mais: Eu me fiz bela para você: o campo de concentração-propaganda de Terezin

 

13) Museu do Cerco, Petersburgo

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Hitler estava tão confiante na captura rápida de Petersburgo que ele mandou fazer convites para uma recepção de gala para oficiais nazistas no hotel Astoria, no centro da cidade. Ao invés disso, a cidade se viu presa em um cerco, em que os nazistas cortaram a entrada de comida e gás para que os habitantes morressem de fome e frio e se rendessem. A história da sobrevivência da cidade é quase miraculosa, e também nos conta muito sobre a União Soviética, onde Stalin ficou com inveja da narrativa de cidade-heroína e proibiu um museu que contava a história do certo. Hoje ele foi reaberto, e eu fui lá visitar, como contei nesse post.

Leia mais: Museu do Cerco em Petersburgo

 

14) Museu judaico de Tallinn, Estônia

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A Estônia ficou tristemente famosa como o primeiro país a ser declarado judenfrei – livre de judeus. Todas as singagoas foras destruídas, todos os judeus tinham sido assassinados, fugido para a União Soviética ou estavam escondidos. Só nos anos 2000 o país voltou a ter uma sinagoga e construiu um Museu Judaico para lembrar essa história trágica.

Leia mais: Museu Judaico de Tallinn

 

15) Bebelplatz, Berlim

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“Onde se queimam livros, logo se queimarão pessoas” – essa frase de Heydrich Heine é lembrada em Bebelplatz, onde os nazistas queimaram livros e obras de artes consideradas degeneradas.

Leia mais: Como Berlim lembra da Segunda Guerra

 

16) Memorial do Holocausto, Berlim

O Memorial do Holocausto de Berlim é polêmico desde que foi construído. Algumas pessoas acham que ele não significa nada se você já não souber o que ele quer representar, enquanto outros acham que essa é exatamente a vantagem, porque você pode andar por ele e entrar no museu porque parece interessante, sem que você já tivesse a intenção de ver um museu sobre o Holocausto. A entrada é gratuita e as histórias contadas são muito emocionantes, então melhor ir e descobrir em que campo você está.

Leia mais: Memorial do Holocausto em Berlim

 

17) Museu judaico, Berlim

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Um projeto moderno que tenta mostrar em três eixos os caminhos dos judeus alemães no século XX: a Continuidade, a Emigração e o Holocausto. A história é contada de uma forma vívida, que além dos eixos foca em cinco “espaços vazios” e instalações artísticas.

Leia mais: O Museu Judaico de Berlim

 

18) Yad Vashem, Israel

O memorial oficial em Israel aos seis milhões de judeus que perderam a vida no Holocausto é conhecido pela arquitetura e por ser incrivelmente comovente. É um dos lugares que eu mais tenho vontade de visitar. Ele se preocupa com a memória, com lembrar de todos os que foram mortos e homenagear quem arriscou a vida para salvar os outros, e em colocar a história da Shoah, a catástrofe, junto com seus precursores históricos, com o anti-semitismo e os pogroms que existiam na Europa por séculos.

 

19) Omaha, Normandia, França

Omaha, no norte da França, é a base para quem quer visitar as praias do Dia-D, onde os aliados desembarcaram na França ocupada pelos nazistas. Elas hoje são visitadas para lembrar esse momento que simboliza a virada da guerra.

 

20) Babin Yar, Ucrânia

Quando as câmaras de gás foram construídas em Auschwitz, milhões de judeus já tinham morrido no Holocausto. Hoje ela é nosso símbolo máximo da Segunda Guerra, mas temos que lembrar que o genocídio começou no leste, onde filas de pessoas eram obrigadas a marchar para florestas, onde os nazistas atiravam neles e depois os enterravam em uma vala coletiva, alguns deles ainda vivos. E que hoje a maioria desses lugares não tem um monumento que lembre o que aconteceu.

Entre 100 e 150 mil pessoas morreram em Babi Yar, um dos lugares marcados. Hoje monumentos lembram das vítimas, mortas por serem judias, cristãs ortodoxas, nacionalistas ucranianos e roma.

 

21) Estátua da Paz, Seul

A prostituição forçada na Segunda Guerra ainda é um assunto pouco discutido. Em vários países, prisioneiras de guerra e mulheres de raças tidas como inferiores foram usadas como escravas sexuais pelo exército, e muitas continuaram a ser silenciadas e estigmatizadas por isso nas décadas seguintes. O governo coreano erigiu uma estátua em homenagem a essas mulheres e sua luta por lembrar o que aconteceu, e a colocou em frente à embaixada do Japão, o país que cometeu esse crime de guerra na Coréia. Ela é um ponto frequente de controvérsia entre os dois países, com o Japão pedindo que ela seja retirada.

 

22) Parque da Paz, Hiroshima

No Parque da Paz em Hiroshima, nós podemos ver as consequências da bomba atômica jogada lá no fim da guerra. Cerca de 400 mil pessoas morreram na hora ou pouco depois, pelos efeitos da radiação. Você pode ver os restos de prédios semi-destruídos, fotos dos danos causados pela radiação e até os fetos abortados por mulheres que estavam grávidas na hora da explosão. No final, pode escrever uma carta pedindo pela paz e adicioná-la à coleção do museu.

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