Como Berlim se lembra do Holocausto; parte 2 – O Museu Judaico

Decidi fazer alguns posts dedicados aos lugares em Berlim que tentam preservar a memória do Holocausto. Esses são lugares que nos lembram que o que aconteceu pode acontecer de novo, e que devemos impedir isso. O primeiro deles falou sobre o Memorial para os Judeus Assassinados na Europa. Não deixe de ler também o terceiro, que conta a história das pedras de tropeço, da praça onde os nazistas queimavam livros e outros lugares.

Outro museu vencedor de prêmios em Berlim que trata da Shoah é o Museu Judaico. Logo na entrada, você nota algo diferente, que a segurança é muito mais estrita que em outros museus da cidade. Segundo uma amiga minha que é judia, isso é uma constante, já que museus judaicos estão sob constante ameaça de terrorismo.

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O prédio visto de cima. Crédito: wikipedia commons

O prédio foi construído pelo arquiteto Daniel Libenskind. Você começa a visita pelo subterrâneo, em que você anda por três caminhos que se interceptam, chamados de Eixos. Eles representam os três caminhos vividos pelos judeus alemães no século XX – o da Continuidade, o da Emigração, e o do Holocausto.

O Eixo da Continuidade conecta o prédio antigo à exibição sobre a história dos judeus na Alemanha. A exibição é permanente, e vai até a época logo depois do holocausto, ou Shoah, a catástrofe, como é mais frequentemente conhecida pelos judeus, e fala do julgamento de alguns dos criminosos nazistas.

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O Eixo da Emigração leva a um dos cinco ‘espaços vazios’ do museu, o Jardim do Exílio. Esses espaços vazios são espaços que pretendem ser o contrário de um museu, mostrar algo que não pode ser exibido, mas que é integral à história dos judeus de Berlim. Eles são espaços de concreto, sem aquecimento, o que os tornava ainda mais chocantes quando eu visitei, no inverno. Para chegar lá, você tem que abrir uma porta pesada. O caminho é íngreme, e as paredes se tornam mais próximas a medida que você avança. Ele foi feito inclinado para dar ao visitante uma sensação de desorientação e instabilidade, como a sentida por quem é obrigado a emigrar. A impressão que eu tive é que não conseguiria abrir a porta de novo e voltar para o prédio, e como estava frio e meu casaco estava lá dentro, fiquei realmente desorientada.

O Eixo do Holocausto leva a um caminho cada vez mais apertado, que no final te leva para a Torre do Holocausto, outro dos espaços vazios. A única fonte de luz é uma abertura no telhado.

Outro dos espaços vazios é o famoso “Shalekhet”, as folhas caídas. Eu andei por lá um tempo antes de entender em que eu estava pisando – o chão é feito de dez mil faces de metal. O artista israelense Menashe Kadishman dedicou seu trabalho não só às vítimas judias do Holocausto, mas a todas as vítimas da violência e da guerra.

Clique na imagem para ler mais sobre os lugares que eu visitei que nos lembram a história da Segunda Guerra

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