Lugares da Segunda Guerra para visitar em Minsk

Aqui no blog já apareceram vários posts sobre lugares ao redor do mundo para visitar quando a gente se interessa pela Segunda Guerra. A essa altura, já fui em museus em grande parte da Europa, e eles começam a parecer repetitivos. Mas sempre gosto de ver o que aconteceu em cada país, e como a história é contada depois, e ambos são fundamentais para entender um pouquinho sobre a história de Belarus, o país para o qual me mudei em janeiro. Então vou contar um pouco sobre a história da guerra no país, e sobre como foi a visita ao Museu da Guerra.

A Segunda Guerra em Belarus

Quando a Segunda Guerra começou, em 1939, existia um pacto de não agressão entre a Alemanha Nazista e a União Soviética stalinista, da qual Belarus fazia parte. Juntos, os dois Estados dividiram vários países do leste europeu, a Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia e Romênia. Mas em 1941, a Alemanha resolveu invadir a União Soviética. A Operação Barbarossa, que coordenou essa invasão, determinou a invasão de Belarus, e ela foi particularmente brutal nesse país. A primeira batalha importante dessa operação foi a defesa da Fortaleza de Brest, no oeste do país.

 Nos três anos de ocupação de Belarus, 209 das 290 cidades do país foram destruídas, com mais de um milhão de prédios e 85% da indústria. 5,295 aldeias também foram destruídas, 628 delas completamente destruídas, e seus habitantes foram queimados vivos. Cerca de 25% da população de Belarus foi assassinada, incluindo cerca de 90% dos judeus que moravam lá, e a população só voltaria aos níveis de antes da guerra nos anos 70. A capital, Minsk, foi quase completamente destruída. Segundo o historiador Timothy Snyder, outro quarto da população foi forçada a fugir durante a guerra, níveis que não se encontram em nenhum outro país.

Lugares que lembram a Segunda Guerra em Minsk

Um dos lugares que lembra a tragédia do país é onde ficava o gueto de Minsk. Ele foi o maior gueto estabelecido pelos nazistas no território da antiga União Soviética. No início da guerra, Minsk tinha 53 mil judeus, que eram cerca de 41% da população. Eles foram presos no gueto, assim como judeus que chegavam do interior, e depois com judeus deportados da Alemanha, República Tcheca e Áustria. A população do gueto chegou a atingir a marca de cem mil pessoas nessa época. A maioria deles era obrigada a trabalhar em fábricas alemãs.

Em 1942, chegaram ordens para liquidar o orfanato do gueto. Os guardas nazistas jogaram doces em um poço, e quando as crianças, com fome, tentaram pegá-los, elas foram enterradas vivas. Alguns dias depois, em 2 de março, 5 mil habitantes do gueto foram assassinados a tiros. Cerca de 10 mil pessoas conseguiram fugir do gueto durante os anos e se unir aos partisans, e estima-se que metade deles sobreviveu à guerra. Os que não conseguiram fugir foram enviados, quando o gueto foi liquidado, para o campo de extermínio de Sobibor. Essas histórias horríveis hoje são lembradas com um monumento, conhecido como o Monumento do Poço (Yama Memorial’), no qual uma cerimônia tem lugar todo 2 de março. 

Outro lugar que lembra a Segunda Guerra é a Praça da Vitória (em belarusso: Plošča Pieramohi), um dos maiores cartões postais de Minsk. A praça é conhecida por ter um grande obelisco e um fogo eterno, dedicado aos soldados mortos durante a Segunda Guerra. Debaixo da praça, em um lugar acessível pelas entradas do metrô, ficam placas com os nomes de 566 heróis da URSS. Grandes celebrações também tem lugar aqui em datas chaves do conflito, como 23 de fevereiro, que era dia do Exército Vermelho, e agora, por algum motivo, é “dia do homem”, e em 8 e 9 de maio, o feriado que lembra o dia da Vitória. Esse festival é muito usado politicamente pelo Lukashenko, que governa Belarus desde o fim da URSS, e por isso hoje em dia são muito controversos.

Além disso, outro monumento famoso na cidade é o Monumento a Minsk, Cidade-Herói. Cidade-Herói foi o título dado na União Soviética a 12 cidades e à Fortaleza de Brest, lugares onde a luta foi acirrada, e que foram fundamentais para garantir a vitória contra o Nazismo. Além de Minsk e Brest, existem monumentos nas cidades russas de São Petersburgo (então Leningrado), Moscou, Tula, Smolensk, Volgogrado (então Stalingrado), Novossyirsk, na Criméia em Sevastopol e Kerch, e na Ucrânia em Kyiv e Odessa.

Perto desse monumento, foi construído o Museu da Grande Guerra Patriótica, nome da segunda guerra na ex-União Soviética. O primeiro museu que pretendia contar a história da guerra abriu em Minsk ainda em 1944, meses após o final da guerra. Como é uma história tão conhecida e importante no país, ele logo ficou pequeno para o número de objetos que possuía e de histórias que pretendia contar. Então um museu novo foi aberto em 2014. Ele realmente é gigantesco, possuindo coleções inclusive de tanques de guerra, e é um pouco antiquado como museu, mas interessante de visitar. Por isso, ele vai ter um post próprio em breve.

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