Como escolher restaurantes na Itália evitando as armadilhas pega-turistas

Eu sempre fico chocada quando alguém me fala que veio para a Itália e não comeu bem. 90% das vezes que como fora aqui, acho a comida deliciosa e os preços honestos. Mas estou em Bologna, que não é tão turística e que tem uma tradição culinária forte, o que ajuda muito. Então resolvi falar um pouco do que aprendi aqui, e que me ajuda a procurar restaurantes onde costumo ter boas experiências.

Conheça a comida da cidade onde você está

A Carbonara pode parecer um símbolo da cozinha italiana, mas é um prato típico de Roma!

Essa é com certeza a dica número um. Os restaurantes italianos costumam ser baseados nas regiões, então em Bologna você quer ver restaurantes que sirvam tagliatelle al ragù e tortellini, em Roma, que fazem carbonara e Amatriciana, em Milão, risotto e ossobuco. Claro que você pode ir em um restaurante típico de outra região, mas o problema começa quando você vê restaurantes que misturam tudo. Se você vê um lugar que serve tagliatelle al ragù (especialmente se eles chamam isso de bolonhesa), Carbonara, Risotto, Pesto, tudo misturado assim, é um sinal forte que o restaurante é pega turistas. 

Conheça as comidas que não existem

Você pode até encontrar espaguete à bolonhesa em Bologna, mas isso é um sinal de que o restaurante é uma armadilha para turistas. Osterie locais servem a versão original: tagliatelle al ragù

Existem vários pratos que são associados à comida italiana, mas na verdade surgiram com imigrantes italianos em outros países. Pratos como espaguete à bolonhesa, frango à parmigiana, fettucine Alfredo. Eles não existem nos restaurantes tradicionais da Itália, e só aparecem nos menus quando algum lugar quer atrair turistas dos Estados Unidos, e por isso acho melhor evitar restaurantes que tenham esses pratos no menu.

Evite os lugares mais turísticos

Procure por ruazinhas lá perto, é só distanciar um pouco, e a comida já vai melhorando

Infelizmente, alguns lugares lindos e lotados de restaurantes acabam cheios de armadilhas. Em Florença, por exemplo, os restaurantes na praça do Duomo, em torno daquela igreja maravilhosa que é um dos maiores símbolos do renascimento, tendem a ser péssimos e caros. Os preços forçaram os restaurantes pequenos de famílias a se mudarem, e deram lugar a redes e restaurantes que trabalham como uma cadeia de produção, tentando fazer a comida o mais rápido possível e te substituir por outro turista no momento em que você acabar de comer. A vista pode ser incrível, mas a experiência não costuma compensar.

Evite lugares que tem um funcionário na porta

Ter um funcionário na porta para recepcionar as pessoas e mostrá-las para as suas mesas é outro sinal de que o lugar foi feito para turistas, e é um alerta vermelho enorme. Se a pessoa tenta te chamar falando em inglês, pior ainda.

Aliás, procure por lugares cujo menu fora esteja em italiano, e evite menus com fotos

Pode parecer uma grande conveniência eles terem menus em inglês, mas se for esse o menu do lado de fora do restaurante, o primeiro que você vê, ou se ele tiver traduções em cinco línguas com bandeirinhas, isso também é um alerta vermelho. Você sempre pode apontar a câmera do Google Translate e conseguir uma tradução, e muitos dos pratos são reconhecíveis, então melhor evitar o menu em inglês. Menus com fotos também são feitos para estrangeiros – os locais sabem o que cada prato é. Aqui a gente volta na primeira dica: pesquise um pouco sobre as comidas típicas de cada região, porque isso compensa.

Não coma em lugares onde todos os pratos tem asteriscos

Os restaurantes italianos são obrigados por lei a escrever quando eles usam ingredientes congelados. E em um produto ou outro, ok, nem todo legume fica disponível fresco o ano todo. Mas quando o menu está todo cheio de asteriscos, corra. Os italianos apreciam muito a comida fresca e sazonal, e não aceitam esse tipo de restaurante, onde tudo é congelado. Você não chegou até a Itália para comer comida descongelada no microondas.

Procure por indicações de locais

Claro que se você tem amigos locais, essa é sempre para mim a melhor forma de achar bons restaurantes. Mas não é necessário ter amigos na Itália toda para comer bem. Uma indicação boa é o lugar estar lotado com pessoas locais, falando em italiano. Você também pode procurar por programas de comida locais: eu gosto do Quattro Ristoranti e do Food Advisor, onde eles vão pela Itália procurando restaurantes que servem a melhor comida local. E também pode ir no velho Trip Advisor, e filtrar para ver críticas em italiano. Se ficar em um hotel pequeno, albergue ou airbnb, também pode perguntar para quem trabalha lá.

Procure por menus sazonais

Algo que é muito apreciado pelos italianos são restaurantes que servem comida sazonal. Na primavera, eles amam aspargos, alcachofra. No verão, procure por flores de abóbora, figos, beringela. No outono, é a época de cogumelos, carnes de caça, castanhas, abóbora. E o inverno é a época de espinafre, pratos com brodo, sopas quentes.

Gelato não deve ter cores berrantes e principalmente não deve ter um tanto de decorações em cima

Gelato falso

Nada para mim é mais pega turistas que aqueles lugares onde você vê montanhas de gelato cobertas com todo tipo de decoração, com frutas, caldas, granulado. Isso é super pensado para gente dos Estados Unidos. Se você quer achar um gelato artesanal, procure por lugares onde ele não está assim, e de preferência nem está exposto.

Um bom lugar que vende gelato não tem dezenas de sabores, porque eles não conseguem manter esse tanto de sorvete fresco. Lugares que o fazem no dia vão ter uma seleção mais limitada. Falando em números, na Itália também é obrigatório ter uma lista de ingredientes usados, e é bom dar uma olhadinha, mesmo sem entender. Se ele tiver dezenas de ingredientes, não é um gelato artesanal.

Gelato deve ter cores naturais e compatíveis com os sabores – morango é rosa, não fúcsia, pistache é um verde claro amarronzado, não um verde forte. Procure por versões pastéis das frutas que são a base, e vai dar tudo certo. A dica sobre comida sazonal também vale aqui! Gelato bom é feito no dia com frutas da estação. Ver um sorvete de morango no inverno significa que o lugar usa ingredientes congelados.

Gelato de verdade vai ficar em vasinhos bem menores, ele não “levanta” sozinho, então ele não passa do limite da embalagem, como na foto do sorvete falso. Gelato artesanal de qualidade geralmente não dá nem para ver, eles são guardados em potinhos isolados, debaixo do balcão, porque é a forma de garantir que eles podem ser armazenados em temperaturas diferentes – os sabores mais cremosos, com leite, e os sabores de fruta, que nunca tem leite, devem ser guardados em temperaturas diferentes.

Gelato de verdade
não dá para ver bem as cores, mas são sempre cores pastel

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