O que ver no Palácio Mikhailovski, a principal sede do Museu Russo de Petersburgo

Só em uma cidade que tem o Hermitage o Museu Russo poderia ficar relegado. A maioria dos turistas só visita o outro, e eu entendo, ele é incrível, e não dá para visitar todos os museus quando você tá na cidade só por alguns dias. Mas se você tiver tempo, o Palácio Mikhailovski em Petersburgo tem a maior coleção de arte russa do mundo, e a visita vale a pena. Só o palácio por dentro já é incrível.

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Então essas são algumas das obras primas que dá para ver por lá.

Uma das pinturas mais famosas da coleção é O Último dia de Pompéia, de Karl Bryullov. Ele era tão famoso que era conhecido como tsar da pintura pelos seus contemporâneos. E ele foi fazer um grand tour, uma viagem formativa pela Itália, onde ele ficou muito impressionado pelos restos de Pompéia. Em uma das pessoas assustadas, ele fez um auto-retrato, a imagem de um homem com pincéis. 

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Outro pintor muito famoso no século 19 era Ivan Aivazovski, conhecido pelas cenas marinhas. Essa é uma das suas pinturas mais famosas, A Nona Onda. O nome vem de uma superstição entre marinheiros, de que a nona onda costuma ser a maior e mais destrutiva de uma tempestade.

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Um outro pintor célebre, e conhecido como mestre do realismo, é Iliá Repin. Várias de suas pinturas famosas estão no Museu Russo, inclusive retratos de pintores famosos, como Tolstói. Uma das pinturas dele aqui é a dos Transportadores de Barcas no Volga, que mostra o trabalho absurdo que cabia aos homens pobres das margens do Volga.

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Outra pintura dele que me chamou a atenção foi Sadko, baseada em um poema épico russo, que é bem diferente dessas pinturas realistas. Ele conta a história de um mercador viajando para vender seus bens, mas que fica preso em uma tempestade. Ele joga ouro do navio, tentando negociar com o deus do mar, e finalmente viaja no mar para se encontrar com ele e tentar resgatar o navio.

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Depois fui ver Cavaleiros na Encruzilhada, de Viktor Vasnetsov. Ele geralmente pintava inspirado por contos de fadas russos, e esse mostra cavaleiros em frente a um sinal que diz que se você for em frente, você vai morrer.

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Um quadro interessante é As Portas da Mesquita, de Vassili Vereshchagin, conhecido por ter viajado muito pelos Balcãs e pelo Oriente Médio, e pintar retratos mostrando a vida nessas regiões. Com essa pintura, ele queria mostrar a desigualdade entre as portas ricamente decoradas da mesquita e os pedintes do lado de fora.

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Um dos que mais me impressionou, pela honestidade, foi Antes do Casamento, de Firs Juravlev. Ele mostra uma mulher chorando antes de um casamento arranjado, perto do noivo muito mais velho, enquanto todo mundo parece chocado com ela

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O quadro Conquista da Sibéria, de Vassili Surikov, é interessante por mostrar um pouco da história da Rússia. Afinal, a Rússia não foi sempre o maior país do mundo, e essa expansão não foi feita pacificamente.

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No segundo andar, tem obras de pintores mais modernos, e um dos que mais aparece é Malevich, inclusive com sua pintura mais famosa, O Quadrado Negro. Ele foi muito celebrado no início da Revolução, como um artista transformador, mas as atitudes mudaram muito com a ascensão de Stálin, e a estética oficial passou a ver o abstracionismo como burguês. Malevich tinha três símbolos recorrentes em sua pintura, quadrados, círculos e cruzes, mas as cruzes no seu trabalho começaram a ser interpretadas como símbolos religiosos e ficaram mal vistas. Ele chegou a ser acusado de ser um espião, e teve algumas obras censuradas.

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Outro artista famoso do século XX, Kandinski produziu principalmente fora da Rússia, mas alguns dos seus quadros estão no Museu Russo. Um dos quadros dele aqui é o Cume Azul, que mostra bastante do estilo abstrato que depois foi considerado burguês na Rússia, quando Stálin privilegiou o estilo do realismo socialista.

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Marc Chagall é outro pintor que produziu principalmente fora da Rússia, e que por isso é um dos pintores mais conhecidos por nós, no Brasil. Felizmente também tem um quadro incrível no Museu Russo, Passeio.

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Um dos quadros mais famosos do museu é o Esposa de um Mercador Tomando Chá, de Boris Kustodiev. Ele é conhecido por seus quadros, por ilustrar livros, e por fazer cenários para peças russas, e era conhecido por ser inovativo. 

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Outra pintora da Avant-Garde, Liubov Popova, tem presença marcada com Retrato de um Filósofo, uma pintura de seu irmão, Serguei Popov. Ela é muito conhecida por suas pinturas cubistas-futuristas e construtivistas, e também trabalhou fazendo cenário de peças. 

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Além dela, tem obras da Natalia Goncharova, outra pintora avant-garde. Ela é conhecida por ser fundadora de vários coletivos de artistas, como Valete de Espadas e Rabo de Asno. Ela influenciou muito o futurismo na Rússia. O quadro dela atualmente no Museu Russo é O Ciclista.

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Outro dos meus preferidos lá é Rodchenko, que eu conhecia principalmente pelas colagens e pela fotografia. Ele ilustrou vários poemas de Maiakóvski. Quando eu fui ao Museu Russo, uma de suas pinturas estava em exposição, chamada somente de Vermelho e Amarelo.

Red and Yellow, Alexander Rodchenko, 1918(?)

Um dos pintores simbolistas mais famosos da Rússia, Mikhail Nesterov, também tem vários quadros no Museu Russo. Ele também ficou muito famoso por retratar a religião ortodoxa em suas pinturas, como nessa, O Véu.

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Um caso curioso para mim foi de uma modelo que apareceu muito – o museu tem três pinturas diferentes de uma das minhas poetas preferidas, Anna Akhamatova, cujo museu eu também visitei em Petersburgo. Essa é o Retrato de Anna Akhmatova, de Nathan Altman.

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As coleções do museu também tem muitas obras da época do início da Revolução, como Komsomolka, em referência à mulheres que faziam parte do Konsomol, a organização de jovens de partido comunista russo, de Konstantin Juon

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Depois tem um quadro do Dmitry Zhilinsky que mostra um aspecto muito importante da cultura da União Soviética, em Ginastas da URSS.

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O quadro mais novo que eu vi na exposição era do final do período soviético, e mostrava uma das realidades tristes dos anos 80: as filas para conseguir os itens mais básicos de sobrevivência. Ela se chama justamente Fila, de Aleksei Sundukov.

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Além das coleções de pintura, o museu tem uma coleção enorme de caixinhas de madeira laqueadas. Elas são consideradas um artesanato típico, e geralmente retratam contos de fadas e paisagens típicas.

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Então esses são alguns quadros interessantes da coleção, espero que a lista valha a pena.

Já falei aqui das outras partes do Museu Russo, o Palácio de Mármore, o Palácio Strogonoff, o Castelo Mikhailovski, a Cabana de Pedro I e o Palácio de Verão. Existem bilhetes combinados que permitem acesso a dois deles no mesmo dia, ou quatro em três dias, que foi o que eu fiz, mas o ingresso da Cabana geralmente não está incluído. Mas se você está interessada em arte russa, também vale a pena conferir o post sobre a Galeria Tretiakova, que também se dedica a essas pinturas, e fica em Moscou.

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