Três atrações do Museu Russo: a casinha de madeira de Pedro I, o Palácio de Verão, e o Castelo Mikhailovski

Depois de falar de dois palácios maravilhosos que são parte do Museu Russo de Petersburgo, hoje vou contar um pouco mais sobre outro palácio, e sobre dois lugares menos comuns: uma casinha de madeira que marca a inauguração da cidade, e um castelo moderno marcado por um assassinato.

Casinha de Pedro I

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A Casinha foi o primeiro lar em Petersburgo de Pedro I, fundador da cidade. Ele tinha acabado de conquistar a região dos suecos, e ela era basicamente uma vila com casinhas de madeira em um pântano. Mas Pedro tinha ambições de construir ali uma capital imponente, e, fazendo juz ao seu famoso senso prático, mandou construir uma casinha de madeira, que ficou pronta em três dias, para poder supervisionar as obras. A data de construção da casinha é considerada a data de fundação da cidade: 27 de maio de 1703. 

A idéia é que ela fosse o meio termo entre uma isbá, a casa de madeira tradicional dos camponeses russos, e uma construção holandesa, país que Pedro admirava tanto que mandaria drenar os pântanos de Petersburgo para imitar os canais de Amsterdam. A casinha foi mudada de lugar (ela era onde é hoje o Hermitage), mas preservada para mostrar a humildade do tsar e os inícios da cidade.

Hoje, ela tem um valor sentimental enorme para a população de Petersburgo. Ela era onde os membros da resistência iam, durante a Segunda Guerra, fazer um juramento solene de defender a cidade. Depois do cerco nazista, foi o primeiro museu a ser reaberto. Objetos pessoais de Pedro estão em exposição do lado de dentro, e ela ainda está aberta ao público.

Palácio de Verão de Pedro I

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Muito mais imponente que a cabine de madeira, mas até modesta em comparação com os palácios reais que viriam depois, foi o Palácio de Verão de Pedro I. Assim como a cabine, a inspiração é holandesa. Ele fica dentro dos Jardins de Verão, e só por isso já valem a pena ir ver, porque os jardins são lindos.

Dentro, ele conta sobre a vida e o cotidiano de Pedro I, mas não posso dizer muito, porque, quando eu estava lá, o museu estava fechado para reformas.

Castelo Mikhailovski

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Petersburgo, fundada em 1703, é uma cidade nova para padrões europeus, e a maioria das suas construções foram feitas em estilos contemporâneos, do barroco ao Art Nouveau. Por isso chama a atenção esse castelo no meio da cidade. Quem mandou construi-lo foi o tsar Pavel I, em pleno final do século XVIII. Ele odiava o Palácio de Inverno, marcado por conspirações e tentativas de assassinatos, e dizia que nunca tinha se sentido seguro lá. Além disso, ele odiava o estilo barroco de sua mãe, Catarina, a Grande, e via o início da dinastia Romanov como uma época de ouro que ele queria emular. Por isso, ele mandou construir esse castelo no estilo da época que admirava. Não sei se ele se sentia mais seguro no Castelo, cercado por canais artificiais que ele mandou seus servos cavarem. Mas se sim, foi uma ilusão dele: ele foi assassinado lá 40 dias depois da mudança por um grupo de generais que odiava as suas medidas retrógradas. Depois eles acordaram seu filho, Aleksandr I, que dormia dentro do castelo, e o colocaram no trono.

Aleksandr I retomou muitas das medidas dos antecessores do pai, e inclusive mudou a residência real de volta para o Palácio de Inverno. O Castelo passou a pertencer à faculdade de engenharia, e seu estudante mais famoso foi alguém que nunca exerceu a profissão: Fiódor Dostoiévski. 

Desde os anos 90, o Castelo faz parte do Museu Russo, e abriga a coleção de retratos dos imperadores e exposições temporárias. Ele pode ser visitado com o ingresso para quatro palácios, que também dá direito de entrada ao Palácio Mikhailovsky, onde está a coleção principal do museu, ao Palácio Strogonov e ao Palácio de Mármore. Além disso, para quem se interessa por arte russa, tem também a Galeria Tretiakov, em Moscou.

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