A minha aula de culinária no Café Clock, no Marrocos

Um dos meus passeios preferidos ultimamente tem sido fazer um curso de culinária em países diferentes. Fazer um prato típico é imersão cultural, diversifica o que eu faço em casa, e cozinhar para os amigos é mais legal do que trazer alguns chaveiros ou ímãs. No Marrocos, onde eu amei a cozinha, procurei por uma aula interessante, e me recomendaram muito o Café Clock, em Fez.

Eu reservei no dia anterior, e quando cheguei lá, às nove, eles ofereceram chá e café enquanto eu conhecia as pessoas que fariam o curso com a gente e a gente decidia o menu. Além de mim, tinha um casal australiano e uma menina britânica, e ela é vegetariana, então escolhemos um menu todo vegetariano. Quando a chef, Soued, chegou, ela disse que a gente podia fazer duas versões do prato principal, para agradar a todos, e que a gente também podia adicionar uma opção de salada que não estava entre as opções para preparar um prato que o australiano tinha amado e queria aprender a fazer.

 

As opções eram:

Entradas: Zaalouk (beringela grelhada com temperos), Khizou M shrmel (salada de cenouras marinadas), Shlada d l barba (salada de beterraba), Taktouba (salada picante de pimentão verde), Harira (sopa de grão de bico tradicional) ou Bissara (sopa de ervilhas e feijão).

Pratos principais: Cuscus de sete vegetais, tagine com ameixas secas e tâmaras, tagine sasonal, com vegetais como marmelo com quiabo ou ervilhas com alcachofra, todos acompanhados de carneiro, frango ou carne de boi, ou ainda, com as opções de frango com conserva de limão e azeitona, bastilla de frango ou bastilla de peixe.

Sobremesa: laranjas marroquinas, com castanhas e canela, macaroons com mel, rolinhos com tâmaras, ou parfait com frutas.

 

Então o menu ficou:

Entrada: Harira e salada de beringela

Prato principal: Base de Cuscus com legumes, Tagine de ervilhas e alcachofras e Tagine de cordeiro

Sobremesa: Rolinhos com tâmaras

 

Tudo decidido, saímos para os mercados para comprar comida. A Soued nos explicava como funcionavam os mercados marroquinos, mostrava os ingredientes mais populares, ensinava a escolher as frutas típicas e nos dava amostras, fazia com que a gente cheirasse os temperos.

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Marrocos aula de culinária café clock Fez mercado

Voltamos ao restaurante, e ela nos mostrou a combinação de temperos que ia ser a base dos dois tipos de Tagine, e da maioria dos pratos marroquinos: cebola, alho, sal, pimenta, cúrcuma, gengibre em pó, salsinha, coentro e muito muito azeite. Nós começamos então misturando isso bem e acrescentando tanto no carneiro quanto, em outra panela, nas ervilhas e alcachofras para a versão vegetariana.

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Uma versão semelhante para fazer a Harira

A Soued mostrava as técnicas de como fazer cada prato e nos colocava em funções diferentes, e ela sabia adaptar a aula de acordo com a experiência dos alunos. Ela nos contou que aparecem até crianças pequenas por lá, então ela sabe como ensinar mesmo a quem nunca ligou um fogão na vida. Ela também queria tirar algumas concepções erradas nossas, como a própria existência da noção de cuscus instantâneo. Lá não ia ter isso de ler na caixa, de comprar a versão que fica pronta em dez minutos. Tudo ia ficar pronto da forma tradicional.

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No final, a maioria dos nossos pratos ainda precisava de um tempo no fogão, mas não tinha tanto o que fazer, e ela sentou com a gente e disse que agora era a hora das perguntas, não necessariamente sobre a comida. E eu perguntei o que as pessoas geralmente perguntavam. Ela disse que os turistas geralmente queriam saber sobre a vida dela, sobre a qual ela contou um pouco, sobre usar o véu, sobre ser mulher e comandar uma cozinha, sobre se a medina de Fez é turística demais (ela também mora lá e disse que é questão de preferência). Nós conversamos por cerca de meia hora, e ela foi super aberta, respondendo a todas as dúvidas.

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Nós começamos a comer em torno de uma hora, depois de quatro horas de compras e preparações (então capricha no café).

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Nossas entradas: Harira, salada de beringela, e pão
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Os dois Tagines: o de alcachofra e ervilha, à esquerda, e de carneiro, à direita, cobrindo o cuscus de legumes.

Marrocos comida típica provar rolinhos de tâmaras e amêndoas
Pode até ter demorado um tempo, mas no final todos comemos até não aguentar mais, e depois ainda levamos um pouco de comida para casa. De tudo o que eu achei mais interessante no final foi a salada de beringela fora do menu: tudo era gostoso, mas ela era facilíssima, e virou um dos meus pratos preferidos que eu faço em meia hora e levo para a faculdade.

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