Volta ao Mundo em Filmes: Azerbaijão – Nabat

Quando eu estava procurando um filme para representar o Azerbaijão, Nabat, de Elchin Musaoglu, chamou a minha atenção. Um pouco porque não parece ter tantos filmes de arte sendo produzidos no país, e esse é uma exceção, e em parte pela história da atriz principal, Fatemeh Motamed-Arya, uma iraniana que aprendeu Azeri para fazer a personagem. 

O filme conta a história de Nabat (Fatemeh Motamed-Arya), uma mulher que mora em uma casa isolada em uma região de montanha do Azerbaijão. Ela tem que fazer um caminho tortuoso pela montanha para chegar até a vila mais próxima, onde ela vende o leite que sua vaca produz e compra outros mantimentos para se manter. Em casa, ela cuida do marido, Iskender (Vidadi Aliyev), que mal consegue se mover por causa de uma doença crônica, e lembra do filho de ambos, que morreu na guerra. 

O contexto, nunca mencionado no filme, mas claro para quem procura saber um pouco sobre a região, é a guerra do Nagorno Karabakh. Com a dissolução da União Soviética, conflitos entre a Armênia e o Azerbaijão se intensificaram, especialmente nessa região, que historicamente já tinha sido parte dos dois países. Durante a União Soviética, ela foi dada ao Azerbaijão. Se você perguntar para o governo Azeri, eles falam que a região foi invadida nos anos 90 pela Armênia, que ainda tem controle sobre a região e a renomeou de Artash. Se você perguntar para o governo armênio, eles vão dizer que a região era historicamente deles, e que os azeris estavam perseguindo os armênios e destruindo o seu patrimônio cultural na região. Hoje ainda tem escaramuças na fronteira, que está fechada por conta disso. Se você já foi ao Nagorno Karabakh sem autorização do governo azeri, não pode pedir visto para o Azerbaijão. Desde 1991, as pessoas da região querem que ela seja um país independente. 

No filme, a situação se complica quando a guerra se aproxima de Nabat. O seu marido falece, e um dia ela vai à vila para ver que ela está vazia, todos parecem ter sido evacuados com pressa, com comida ainda nas mesas e roupa nos varais. Então ela toma para si a tarefa de acender lanternas na vila todo dia, e confundir as tropas que se aproximam. A única companhia que ela tem na montanha é a de uma loba, e até ela se pergunta porque o animal não deixou o lugar. Tem alguns momentos, principalmente quando Nabat olha para as fotografias do filho que ela perdeu, que o filme poderia ser muito sentimentalista, mas eles conseguem evitar isso – uma cena em que ela substitui a fotografia, no final do filme, é brilhante.

Adorei a atriz principal, entendo porque o diretor quis ter alguém com o trabalho de aprender uma língua para o filme, porque ela realmente é incrível. E também achei a fotografia muito bonita. No final, fiquei bem feliz com o filme que escolhi para o Azerbaijão, e achei que foi um bom filme para ver antes da minha viagem para lá.

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