Volta ao Mundo em Livros: Malásia – The Garden of Evening Mists

The Garden of Evening Mists, de Tan Twan Eng, não foi só meu livro escolhido para a Malásia no projeto. Ele também foi meu primeiro livro escolhido para o Desafio Literário Viaggiando. Ele ficou na categoria de livro que retrate uma guerra fora da Europa.

O livro conta a história de uma mulher malaia, Teoh Yun Ling, nos anos 80, quando ela se aposenta depois de uma carreira como juíza, quando ela ficou conhecida por processar criminosos de guerra japoneses e colaboradores locais. Ela recentemente foi diagnosticada com uma condição degenerativa, e está experimentando perda de memória e afasia. Por isso ela resolve escrever a história de sua juventude enquanto ela ainda a lembra. Ela também resolve encontrar um historiador japonês, Yoshikawa Tatsuji, que ficou célebre por reconhecer os crimes de guerra cometidos pelo seu país, e que quer ter acesso a pinturas que ela possui.

Ela foca principalmente em dois momentos, o primeiro dos quais é a Segunda Guerra Mundial na Malásia, quando o país foi invadido pelo Japão e ela e a irmã foram levadas para um campo de trabalhos forçados. Nós sabemos que ela teve a mão mutilada e que ela é a única sobrevivente desse campo, que ela nunca conseguiu reencontrar, mas só ao final do livro sabemos os detalhes sobre o que aconteceu. Também sabemos que ela se culpa – por que ela sobreviveu, e a irmã não?

O outro momento é no pós-guerra, quando Teoh Yun Ling, então uma promotora, procurava uma forma de honrar a memória da irmã, Yun Hong. Ela tinha sido apaixonada por jardins japoneses, e as duas frequentemente no campo sonhavam com o jardim que construiriam. Então, apesar da sua atual repulsa a tudo ligado ao Japão, Teoh Yun Ling procurava um famoso jardineiro japonês que vive na Malásia, Nakamura Aritomo, para pedir que ele desenhe um jardim. Ele não aceita a encomenda, mas oferece ensiná-la como planejar o próprio jardim, desde que ela seja a sua aprendiz até a monção. Essa parte se passa na época da Emergência Malaia, em que grupos de guerrilha lutavam pela libertação do país contra as forças da Commonwealth.

Um dos temas fortes do livro é a Segunda Guerra vista do ponto de vista da Ásia, o que foi bem interessante para mim, que sempre a estudei do ponto de vista europeu. A cultura japonesa também aparece muito, já que Aritomo, além de planejar jardins, é adepto de outras artes do seu país como a cerimônia do chá, filosofia zen, arco e flecha, ukiyo-e, pintura com blocos, e horitomos, as tatuagens de corpo inteiro japonesas. Também fala muito sobre colonialismo e identidade. Teoh Yun Ling é descendente de chineses, e a família dela é o que outros chamam pejorativamente de bananas: amarelos por fora, brancos por dentro. Ela foi criada em uma família que privilegiava o inglês, porque eles achavam que os ingleses ficariam lá para sempre, e que se horrorizaram quando eles os deixaram nas mãos dos japoneses. É uma das partes que eu mais curti, como o livro mostra  a Malásia como um melting pot, influenciado por tantos povos diferentes que passaram por lá.

Outro tema principal é a memória, e sua relação com o esquecimento. O livro abre com uma citação do historiador Richard Holmes, que diz que os gregos antigos tem uma deusa da Memória, Mnemosine, mas não uma do esquecimento, embora elas sejam irmãs gêmeas. Um dos personagens mais cativantes do livro, Magnus, um sul africano auto exilado do país, tem exatamente essas estátuas em seu jardim: Mnemosine e uma irmã gêmea, com os traços apagados pelo tempo.

O livro também é bem sucedido em usar o jardim japonês como metáfora para os acontecimentos da vida dos personagens, e da história malaia como um todo. Quanto mais lemos sobre conceitos como o de cenário emprestado, mas os vemos por todo o romance. Eu gostei bastante e alguns dos temas ficaram comigo, e, apesar de achar o diálogo forçado em alguns momentos, foi uma boa escolha para a Malásia, e uma que recomendo.

 

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