Volta ao Mundo em Livros: Timor Leste – Réquiem para o Navegador Solitário

Quando eu fui procurar por sugestões para um livro do Timor Leste, quase todo mundo indicava Luis Cardoso, então acabou sendo uma decisão fácil.

O livro acompanha Catarina, a filha de um comerciante chinês em Jacarta que é mandada para o Timor Leste para encontrar o noivo. Eles tinham se conhecido justamente porque ele e o pai de Catarina tinham começado a fazer negócios juntos, e, quando esses negócios começam a perder dinheiro, ela é mandada para procurar o noivo e assegurar o que o pai tinha investido.

Ela chega no navio carregando um livro de Alain Gerbault, o navegador que tinha conquistado fama mundial ao contornar o mundo sozinho em um barco, e sonhando com um príncipe encantado. Quando chega na casa do noivo, porém, ele a trata como uma cobradora, e ela logo percebe na própria casa que as histórias que ele contava sobre sua fortuna eram mentiras.

Ela é deixada para cuidar da propriedade, e promete e a si mesma que vai reergui-la sozinha. O início da sua vida lá é cheio de traumas, da violação física pelo noivo e o sequestro do filho ao ostracismo da comunidade. Quando o noivo a deixa, ela passa a ser considerada uma nona, uma mulher abandonada que agora pode ser de qualquer um.

Em um momento, o próprio Alain Gerbault, autor do livro que ela amava, chega a ilha doente depois de uma viagem, e Catarina cuida dele. Ela tem que lidar ainda com a ocupação japonesa no Timor Leste durante a Segunda Guerra, apesar da ilha pertencer a Portugal, país neutro.

Acho que em muitos dos livros que ando lendo, vejo histórias que tentam enlaçar a vida de um personagem à história de um país, e isso foi muito forte em Requiem para O Navegador Solitário. Li em entrevistas com Luis Cardoso que ele cresceu ouvindo histórias sobre a ocupação japonesa e sobre a passagem de Alain Gerbault pela ilha. Imagino que a questão do colonialismo tenha sido ainda mais forte, já que a presença portuguesa durou até 1975, quando o país foi anexado pela Indonésia por mais de vinte anos. O próprio autor viveu grande parte da vida em Portugal, e ele mostra a repressão causada pelos representantes do governo de Salazar. Por isso o livro foi ótimo para aprender um pouquinho mais sobre o Timor Leste.

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