Volta ao Mundo em Livros: Colômbia – Delírio

O livro escolhido para a Colômbia foi Delírio, da Laura Restrepo. Ele fala de um homem, Aguilar, que chega depois de uma viagem de quatro dias e ouve um recado na máquina que deve ir a um quarto de hotel reconhecer sua esposa. Ele a tinha deixado pintando o apartamento de verde, e a encontra em estado de delírio em um hotel de luxo. Ela se preocupa com rituais de preparação e fala na visita iminente do pai, que já faleceu, e não responde a perguntas sobre o que aconteceu.

Aguilar é um professor de literatura exonerado pelas suas idéias políticas, e por causa disso passou a vender comida de cachorro para sobreviver. Sua esposa, Agustina, vem de uma família rica e tradicional. Para descobrir o que aconteceu com ela, ele procura descobrir tanto segredos do seu passado quanto os eventos dos dias em que ele estava viajando. Quatro narradores se alternam para tentar desvendar o mistério para o leitor. O primeiro é Aguilar, que conta com a ajuda de Sofi, uma tia de Agustina que tinha partido anos antes mas volta de forma inexplicada para cuidar da sobrinha e conta os detalhes perturbadores de sua infância. A segunda é a própria Agustina, que nos conta a violência e falsidade da vida de sua família. O terceiro é Midas McAlister, um traficante que ganhou o apelido porque transformaria em ouro tudo que toca, e que é associado de Pablo Escobar. Finalmente, o quarto é Nicolas Portulinus, o avô alemão de Agustina que também vive momentos de delírio, que ele traduz em nove composições.

Em alguns pontos, o romance se parece com uma história de detetive. Aguilar quer saber como Agustina enlouqueceu, e ele descobre muito sobre segredos do seu passado. Também é um retrato de sua época, os anos 80, quando, segundo a autora, todo mundo parecia em guerra com todo mundo, e Pablo Escobar lançava bombas nas ruas de Bogotá. Ele era chamado de rei da cocaína, mas preferia ser chamado de pai da nação. Por isso é grande a tentação de vê-lo como mais um dos pais abusivos do romance, e Agustina como uma representação de todos os colombianos, com a mente em frangalhos por causa da violência e da corrupção. É um livro bem escrito, que serve a pensar esses aspectos, e por causa deles é bem familiar para nós brasileiros.

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