Swinging 60s e a Saatchi Gallery: um passeio por Chelsea

Duas vezes na história, o bairro de Chelsea em Londres ficou conhecido como o bairro boêmio da cidade, onde moravam artistas, poetas e radicais. Pouco disso sobrevive hoje, e ele é mais conhecido como um bairro residencial de ricos, mas ainda é interessante visitá-lo em busca desses vestígios.

O primeiro desses períodos aconteceu na época vitoriana, quando vários artistas moravam no bairro. Dante Gabriel Rossetti morava lá, e por isso o bairro era o coração do movimento pre-Rafaelita. Turner também morava lá. Entre os escritores, Jonathan Swift e Thomas Carlyle também moravam por lá. Em 1907, o escritor Arthur Ransome publicou Bohemia in London, falando sobre a vida artística em Chelsea, Soho e Hampstead.

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Pintura de William Gordon Burn Murdoch, da época em que o Chelsea Arts Club tinha bailes para os artistas membros

Até hoje fica no bairro o Chelsea Arts Club, um clube privado para artistas, escultores, designers, atores, músicos, fotógrafos e cinegrafistas. Ele não está aberto para o público, mas vale a pena checar se está acontecendo algo por lá, porque o prédio, geralmente branco, é decorado para eventos. Em 2011, por exemplo, ele foi pintado como se tivesse sido bombardeado para comemorar os 70 anos da Blitz.

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Comemoração da história LGBT de Chelsea, foto por Hugo Cox
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Comemoração da obra de Magritte. Créditos: site oficial

Depois, Chelsea ficou novamente conhecido como o bairro boêmio nos anos 60, quando era conhecido como Swinging Chelsea. Os Beatles e os Rolling Stones moravam lá. A rua principal do bairro, King’s Road, tinha butiques como Granny Takes a Trip e The Sweet Shop, onde Keith Richards e Twiggy compravam roupas que marcaram a época. Foi lá que a Mary Quant criou o Chelsea Look, baseado na novidade da mini-saia. É difícil entender essa revolução porque a gente olha as fotos da época e parecem tão comuns, e é complicado perceber quão radicalmente diferente essa roupas eram de tudo que existia antes. Hoje ainda existe em King’s Road uma loja chamada Mary Quant que vende roupas dos anos 60, mas que pertence a um grupo japonês. Até hoje Chelsea é um lugar para fazer tours de placas azuis, procurando os endereços de residentes famosos do bairro.

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Twiggy foto Phillip Townsend
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Foto: Phillip Townsend
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Crédito: Phillip Townsend

Nos anos 70, foi em Chelsea que nasceu o movimento punk, a partir da butique SEX, da Vivienne Westwood. Mas nessa época começou a gentrificação do bairro, e os punks boêmios foram expulsos mais ao norte, e acabaram em Camden, que hoje é mais conhecida como o bairro boêmio.

sex vivienne westwood

Hoje, o lugar mais interessante para visitar é a Saatchi Gallery, que fica em Chelsea desde 2008. Desde 2010, ela se tornou um museu público, e também é conhecida como o Museum of Contemporary Art for London. A galeria tem uma fama por fazer exposições polêmicas e investir em artistas desconhecidos. Recentemente, eles fizeram uma exposição sobre selfies, que partia dos autorretratos de artistas como Rembrandt e Van Gogh para falar de auto expressão.

Já peguei mostras ótimas lá, como uma de arte soviética em 2011. Recentemente eles tiveram uma de arte russa contemporânea, com obras falando sobre a relação do Putin com o Trump e sobre o Pussy Riot que eu queria muito ter visto.

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Créditos: site oficial
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Créditos: site oficial
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Créditos: site oficial

No subsolo, fica a única exposição permanente da Galeria. Quando eu entrei, achei que era uma sala vazia, como a que fizeram na Bienal de Arte de São Paulo. Mas tinha um cheiro estranho. Olhando com atenção, percebi que o que parecia ser o chão não era, era alguma coisa que refletia o resto da sala. Então reconheci o cheiro de uma aula de ciências: era petróleo. Falando assim não parece nada demais, mas é muito legal de ver.

Exposição 2050 Saatchi Gallery Chelsea

Eles também tem um site, Saatchi online, onde artistas podem fazer upload de até vinte obras e colocar uma pequena biografia. Cerca de 100 mil artistas participam dele. Eles têm competições semanais, em que o vencedor ganha um espaço para exibir suas obras, uma parte de estudantes de arte, uma parte para críticos, e uma parte para arte de rua.

 

Como em muitos outros museus de Londres, a admissão é livre.

 

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