Volta ao Mundo em Filmes: Peru – A Teta Assustada

O filme escolhido para representar o Peru foi A Teta Assustada, de Claudia Llosa. O filme começa com uma mulher mais velha que canta em quechua uma música sobre um ataque à sua casa, quando ela, grávida, foi estuprada e torturada por soldados, enquanto seu marido foi morto. Do seu lado, sua filha (Magaly Solier) responde, também cantando, e sabemos que ela já deve ter ouvido essa história muitas vezes. Logo em seguida, a mãe falece no leito.

Durante os anos 70 e 90, foi grande a violência no país (a na América Latina), principalmente contra as populações indígenas. Nessa época, o estupro foi muito utilizado como arma de guerra pelas forças do governo. Ele raramente foi reportado, e quase nunca, punido.

Na cena seguinte, vemos a filha, Fausta, que desmaia e é levada por um tio ao médico. O médico fala horrorizado que descobriram que ela tem uma batata dentro da vagina, que está germinando e precisa ser retirada com uma cirurgia. O tio diz que a única doença que Fausta tem é a Teta Assustada, uma doença dos filhos de mães que foram estupradas, que herdam o trauma no leite materno. O médico desdenha o comentário como uma lenda indígena, diz que essa doença não existe e não se pode pegar um trauma pelo leite, e repete que ela precisa de cirurgia.

Do lado de fora do consultório, Fausta explica que ela colocou a batata na vagina para impedir que alguém a estuprasse, como aconteceu com a sua mãe. Ela ouviu essa história de uma outra mulher, que disse que isso impediria os possíveis estupradores. E, aliás, qualquer contato, porque em conseqüência do trauma ela tem um medo enorme de homens. O tio tenta confortá-la, diz que os tempos mudaram, que em Lima, para onde eles se mudaram para escapar da brutalidade do exército, é diferente.

Para conseguir o dinheiro para enterrar sua mãe na vila de onde ela saiu, Fausta começa  a trabalhar para uma pianista. O ambiente é completamente diferente do que ela está acostumada, com muito mais gente. A patroa a encoraja a compor suas próprias músicas, notando a sua aptidão – outra herança de sua mãe – e pensando em apresentá-las como suas em um concerto.

O filme fala do legado da violência, da impunidade e da opressão, em um país que passou por um longo regime de exceção. Ou seja, é bem familiar para a gente em vários aspectos. Ele também mostra a cultura indígena (o que gerou críticas de apropriação cultural, a diretora sendo uma sobrinha do Vargas Llosa), com as canções cantadas em quechua. Achei que vale a pena ver para conferir.

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