Volta ao Mundo em Livros: Catalunha – A Praça do Diamante

Com toda a confusão que está acontecendo com o referendo de independência da Catalunha, eu resolvi adicioná-la como um dos países para ler no projeto da Volta ao Mundo em Livros. Eu pensei primeiro em escrever sobre o livro Nada, da Carmen Laforet, do qual gosto muito, mas resolvi depois procurar um livro em catalão. Depois de algumas pesquisas, resolvi ler o livro A Praça do Diamante, da Mercè Rodoreda.

Decidido o livro, comecei a procurá-lo, e vi que as edições em português estavam esgotadas. Achei uma edição italiana por bom preço, e estava tentando achar uma em espanhol quando tive uma ótima surpresa: lendo as dicas da TAG, vi que esse seria o livro de dezembro. Segunda vez esse ano que eles me mandam um livro que eu estava tentando comprar, tô dando muita sorte.

Edit: E parece que o Nada também vai sair em breve na TAG! Eles estão ótimos com a literatura catalã.

O motivo pelo qual me interessei tanto pelo livro foi porque ele fala sobre a Guerra Civil Espanhola, um tema que acho fascinante. Por isso fiquei surpresa ao ver que na verdade a guerra não começa até o meio do romance. No início, vemos Natàlia, a jovem narradora, que vai até a Praça do Diamante com uma amiga e um rapaz a chama para dançar. Ela é noiva, mas ele insiste e a chama de Colometa, pombinha. Ela se perde da amiga e, assustada, corre para casa, deixando para trás a anágua, que cai no meio da rua. Essa corrida para mim é como o livro, que começa em um ritmo mais devagar, mais que vai se tornando mais e mais veloz, até chegar ao fluxo de consciência no final. E também já fala muito sobre a relação deles.

A relação entre Natàlia e Quimet é abusiva desde o começo. O comportamento dele provavelmente não seria considerado assim na época, e Natàlia o ama, mas não dá para fingir que a gente não vê o que para uma pessoa moderna é óbvio. E é óbvio desde o início que quando chegar na guerra, a gente não vai encontrar o maniqueísmo dos heróis da república e os malvados do fascismo. Nem heróis e malvados de uma forma geral.

Natàlia e Quimet têm filhos e começam uma criação de pombos, que logo tomam todo o apartamento, para horror dela. E então a guerra começa. Essa não é a perspectiva dos soldados, dos voluntários, como em tantos livros famosos sobre a época. É um romance sobre os que ficaram, e que nos lembra como em qualquer guerra os civis são sempre os mais afetados, e os que sofrem as conseqüências por toda a vida.

Rodoreda escreveu esse livro no exílio na França, enquanto o catalão era proibido na Espanha de Franco. Ela declarou ter orgulho de que as traduções do romance para mais de trinta línguas mostraram a muita gente que o catalão era uma língua importante e culta. Por isso, foi inescapável pensar que ela só podia escrever porque estava exilada, tanto pela língua em que escrevia quanto pelo tema, por falar da guerra. Gostei demais do romance, que foi um dos melhores que li em 2017, e espero ler outros livros dela.

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