Volta ao Mundo em Livros: Gana – The Beautyful Ones Are Not Yet Born

Quando chegou a vez de ler um livro de Gana, fiquei com muita vontade de ler The Beautyful Ones Are Not Yet Born, de Ayi Kwei Armah. Ele é frequentemente citado como um dos grandes clássicos modernos da literatura africana, e foi citado pela Chimamanda como um de seus livros preferidos. O problema é que achar o livro não foi fácil, e por isso atrasei um pouco a leitura. Eu sempre procurava por ele, até que um dia vi um exemplar no Better World Books, conjunto de sebos que vende livros usados com frete grátis para todo o mundo, e ainda doa um para cada um que você compra.

O livro conta a história de um homem em Gana um pouco depois da independência. Ele é um funcionário do governo sem nome, que não consegue ganhar um salário que permita viver com a mínima qualidade. Ele tem várias oportunidades de ganhar um pouco mais recebendo subornos, mas se recusa a ser corrupto. Com essa postura, ele consegue o ódio de todos. As pessoas que oferecem dinheiro o odeiam porque crêem que ele se acha melhor do que todo mundo. A esposa dele se ressente porque se ele fizesse como todos, eles teriam um pouco mais de dinheiro.

“You have not done what everybody else is doing,” said the naked man, “and in this world, that is one of the crimes.”

A única pessoa com que ele conversa é o Professor, um homem que abandonou a sociedade e anda pela sua casa nu. Isso não significa que as conversas sejam moralizantes, longos debates sobre como ele está certo. Pelo contrário, não fazer o que os outros fazem o enche de uma angústia existencialista que fez com que o livro fosse comparado com A Náusea de Sartre.

Ayi Kwei Armah gosta de imagens escatológicas. Lendo o livro, dá quase para sentir o cheiro de lixo, da merda nas latrinas, a textura do vômito no queixo do homem. As imagens perturbadoras complementam o retrato que o autor faz da falta de esperança, da corrupção generalizada, das vidas mundanas daqueles que já estão mortos.

O autor fala sobre vários aspectos da vida em Gana, desde o racismo institucionalizado, das pessoas que acham que tudo que vem dos brancos é melhor, que cabelo natural é coisa de “bush women”, das guerras entre Gana e o Reino Unido.

“When the war was over the soldiers came back to homes broken in their absence and they themselves brought murder in their hearts and gave it to those nearest them”.

O livro é muito bom tanto para saber mais sobre o país quanto para quem quer saber mais dos clássicos da literatura africana ou quem gosta de existencialismo.

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