Volta ao Mundo em Livros: Iêmen – A Land Without Jasmine

No primeiro capítulo de A Land Without Jasmine, de Wajdi Al-Ahdal, a própria Jasmine fala sobre como é andar na rua no Iêmen quando se é uma jovem mulher. Página após página, ela fala sobre o assédio de homens conhecidos e desconhecidos, e para muitos isso é uma mostra de como as sociedades árabes são machistas. Mas para mim, na verdade, foi extremamente familiar.

Dizem que esse é o efeito da repressão sexual no país, que não é brincadeira. Afinal, estamos falando de um país em que casamentos de crianças de oito anos não são incomuns. Mas o assédio que Jasmine experimenta é algo que não vai parecer tão diferente para a maioria das brasileiras: é o vizinho que a segue sem dizer uma palavra, o vizinho que a encara, o trocador do ônibus que acaricia sua mão quando ela tenta pagar a passagem. É uma violência sutil, que muitas vezes é incompreensível para quem não a experimentou na pele, mas que é sim uma violência e que teve efeitos óbvios na personagem desde que ela era uma criança.

Fora o primeiro e o último capítulo, os quatro outros são narrados por homens, e descrevem em sua maioria conversas com outros homens. Um deles é um dos que assediam Jasmine, sem ter a mínima idéia do quanto ele a deixa desconfortável. Outros procuram por ela, que está desaparecida desde os eventos do primeiro capítulo.

O sumiço de Jasmine poderia dar início a uma novela policial, e por algumas páginas eu achei que fosse isso que estava por acontecer. Mas como a novela prossegue está mais perto de As Mil e Uma Noites, com uma mistura de referências mitológicas e violência real.

Podemos nos perguntar se o fato de que Jasmine era tão constantemente observada está ajudando ou atrapalhando a investigação. Eventualmente, alguns dos personagens experimentam o desconforto e o terror de sentirem eles mesmos que estão sendo observados, embora de uma forma bem diferente de Jasmine. Quando a tribo (vou usar essa palavra porque é usada no romance) de Jasmine, obcecada por honra, decide que é hora de procurar uma resolução e lavar a honra, o resultado é por um lado trágico, mas por outro, ridículo.

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