Não existe mundo sem os muros de Verona

O meu professor de Literatura Italiana Contemporânea chamou Verona de a cidade mais não homogênea da Itália. Lá conviviriam todos os estratos da sua história, e quando você anda pela cidade você está na verdade saltando entre épocas diferentes. Se fosse uma cidade estrangeira, ele disse, Verona seria Istambul.

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Coincidentemente, eu já tinha até planejado um passeio em Verona quando ouvi isso, mas me deixou ainda mais empolgada. Mesmo assim, eu não tinha idéia do quanto a cidade era incrível até chegar lá.

Não se sabe ao certo quando Verona foi fundada, nem por quem. Então os estratos mais antigos que a gente vê são romanos.

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Quando cheguei, uma das primeiras visões foi a Arena, o terceiro maior anfiteatro romano na Itália. Na época medieval, foi basicamente um squat, com pessoas construindo suas casas lá dentro (apenas um entre muitos occupy gloriosos que incluíam o Coliseu e o Palácio de Diocleciano em Split, na Croácia). Desde a renascença tem sido usada como um teatro, e hoje você pode ver óperas no verão. Clique aqui para ver a programação.

A linda Ponte Pietra também é da época romana. Ela, assim como as outras pontes romanas, foi destruída pelos nazistas quando eles se retiraram da Itália, mas foi reconstruída com materiais originais.

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Eu atravessei a ponte para o Teatro Romano. A entrada é apenas 2 euros, e depois subi para as ruínas lá em cima, de onde eu tinha uma vista incrível para Verona.

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Algumas das portas romanas da cidade ainda existem. Essa é a porta Bursari. Na época romana, ela era a principal entrada da cidade.

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A Piazza delle Erbe é no lugar onde era o fórum em época romana, mas hoje é conhecida pelos edifícios do renascimento, muitos dos quais ainda tem afrescos nas paredes. Aliás, Verona tem um museu dos afrescos, onde dá para ver vários exemplos dessa técnica de pintar na parede úmida para conseguir cores mais vibrantes.

Apesar de tudo isso já ser motivo o bastante para turistas do mundo inteiro desejarem vir para Verona, a cidade ainda tem um outro motivo de fama. Três peças de Shakespeare: Romeu e Julieta, Dois Cavalheiros de Verona e a Megera Domada, passam-se aqui.

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Todo mundo conhece a história de Romeu e Julieta, os star-crossed lovers de famílias rivais. Mas o que nem todo mundo sabe é que essas duas famílias realmente existiam em Verona. Os Montecchi e os Capuleti eram famílias célebres que chegaram a ser citados por nome na Divina Comédia. Não sabemos se Romeu e Julieta eram reais, mas a história circulou com esses nomes e Verona como pano de fundo pelo menos por algumas décadas antes de ser imortalizada por Shakespeare.

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Quando turistas começaram a aparecer procurando pelos lugares da história, foram apontados na direção do antigo palácio dos Capuleti. O lugar tinha uma varanda, então logo se tornou ponto turístico como a varanda da Julieta, e colocaram a estátua embaixo. Dizem que dá boa sorte encostar nos seios dela, e casais costumam escrever seus nomes na entrada do palácio.

É uma atração bem kitsch, mas é divertido seguir essas tradições de viagem, e se você estiver em Verona vale a pena passar por lá. Já o túmulo de Julieta eu não achei tão interessante, mas no mesmo lugar fica um Museu de Afrescos maravilhoso. Se você gosta da história, pode visitar a casa e o túmulo e tirar as fotos típicas, como eu não resisti e fiz. Ou pode terminar com uma visão mais irônica, como a do famoso canto do movimento feminista de Verona:

Giuglietta non temere                      Julieta, não tenha medo
Che la vita è troppo bella                Que a vida é bela demais
Per passarla sola sul balcone         Para você passá-la sozinha na varanda
Aspettando un coglione                   Esperando um babaca

Verona é fácil de chegar de qualquer cidade no norte da Itália. De trem, fica a entre 50 minutos e 1:30 de Bologna, a 2 horas de Milão, e entre 1 hora e 1:30 de Veneza.

 

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