Visitando o palácio de Catarina em Tsarkoye Selo, perto de Petersburgo

Quando eu fui para Peterhof, um dos palácios dos Romanov em torno de Petersburgo, meu post sobre o passeio foi um pouco negativo. Com fila e bilhete separado para tudo, confesso que não foi uma experiência legal, e me fez pensar se valia a pena visitar o outro palácio famoso nos subúrbios da cidade, Tsarkoye Selo. Felizmente, essa foi uma experiência completamente diferente, e por isso queria contar sobre o meu passeio para lá.

Tsarkoye Selo (Царское Село) em russo significa aldeia do tsar, e era uma pequena vila onde a nobreza tinha palácios de verão. Como foi a cidade onde Púchkin, o poeta mais importante da Rússia, cresceu, a cidade hoje tem o nome dele. Mas o nome de Tsarkoye Selo continua a ser usado para falar do palácio. 

O Palácio foi construído em 1717 pela tsarina Catarina I. É por causa dela que o Palácia se chama palácio de Catarina, embora todo mundo o associe com Catarina, a Grande, outra tsarina. Depois ele foi reformado várias vezes, especialmente pela tsarina Elizabeth I, filha de Catarina I e Pedro, o Grande. Resta pouco da época da primeira Catarina, mas o que resta é uma de suas maiores atrações: a Sala de Âmbar. A sala é feita toda, claro, de âmbar, um material precioso que praticamente só existe nos Bálticos. Ela foi originalmente feita para um palácio de Berlim, mas quando Pedro, o Grande, foi para lá em uma visita, ele a admirou tanto que Frederick William I, rei da Prússia, a mandou para ele como um presente diplomático. Durante a Segunda Guerra, quando a cidade de Puchkin foi ocupada por tropas alemãs, o quarto desapareceu, provavelmente tendo saqueado pelas tropas nazistas. Apenas um mosaico dele foi encontrado, e ele foi usado décadas depois para reconstrui-lo. A reconstrução demorou 24 anos, mas hoje ele está de novo aberto para visitantes.

Lá infelizmente não é permitido fotografar, então o crédito é da wiki commons, e a foto foi tirada por Andrey Zeest

Elizabeth I, que sucedeu Catarina I alguns anos depois, amava o estilo Rococó, e mandou seu arquiteto preferido, Rastrelli, construir salas suntuosas como o enorme hall dos espelhos.

Apesar disso, o palácio é, como eu disse, ligado na cultura popular com Catarina II, a Grande. Os quartos que ela mandou construir e decorar no palácio são os que tomam inspiração na Grécia e Roma antigas, que ela admirava.

Se você veio para conhecer os lugares associados com Catarina, a Grande, vale muito a pena conhecer os quartos de Ágata, que tem entrada própria fora do palácio. Eles foram decorados ao gosto da imperatriz, e eram onde ela passava grande parte do tempo. Eu trouxe um sanduíche do albergue). Em um quarto tem até um busto de Voltaire, com quem ela, como exemplo de manual de uma déspota esclarecida, gostava de se corresponder. O audioguide nessa parte do palácio contou muito sobre a vida dela, inclusive ao chegar na sala onde ficava a cadeira de rodas em que ela passou os últimos anos de vida. Eu que reclamei tanto dos preços extras para entrar em cada parte de Peterhof, tenho que falar que aqui valeu a pena e eu recomendo (em minha defesa, era bem mais barato que Peterhof e aceitaram minha carteirinha de estudante).

Também foi a Catarina, a Grande que mandou fazer a maior parte dos prédios que a gente vê hoje nos jardins. Eles não tem a grandiosidade das fontes de Peterhof, mas são menos estruturados, e por isso achei bem mais graça em passear por eles e fazer um piquenique (eu trouxe um sanduíche do albergue).

Almirantado Holandês
Coluna de Chesme, construída para celebrar uma vitória Russa na guerra contra a Turquia

A torre arruinada, outro prédio construído em homenagem à guerra entre a Rússia e a Turquia, que por foi construída com inspiração em uma torre otomana.

Ponte de mármore, inspirada em uma casa de campo da monarquia inglesa,

Os banhos turcos, construídos no formato de uma mesquita.

Casa de verão em estilo chinês
Os interiores dessa parte tem mosaicos romanos antigos, trazidos da Itália
Arco gótico
Pequeno Hermitage

Como chegar: o modo mais comum para chegar é de metrô + Marshrutka, as vans soviéticas que ainda são comuns na Rússia. É só ir até a estação Kupchino e depois pegar a marshrutka K-342 ou K-286, ou até a estação Moskovskaya, onde dá para pegar a K 342, K287 ou K545. É só perguntar por “Púchkin”, nome da cidade, ou “Tsarkoye Selo”, o palácio. 

O modo mais romântico, porém, é ir de trem, já que a linha de trem é a mais antiga da Rússia. Eles saem da estação Vitebski em Petersburgo a cada vinte minutos, e o bilhete de ida custa 36 rublos.

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