Rimini, da praia à cidade romana

Quando eu finalmente visitei Rimini, foi porque eu vi que ia fazer 41 graus e decidi fugir de Bologna. Rimini tem praias, e achei que dava para escapar do calor. Mas também já tava pensando em fazer um passeio e ver um pouco da cidade. Porque Rimini é daquelas cidades que só na Itália seriam conhecidas como cidade de praia, já que elas também tem ruínas romanas, e só por aqui isso consegue chamar menos atenção.

Rimini vista para a praia

Com eu disse, o calor estava insuportável, então a primeira parada foi na praia. Rimini costumava ter uma das praias mais famosas da Itália. Mas nos últimos tempos, a temperatura da água tem subido muito graças ao aquecimento global, e isso fez com que um tipo de alga original da Indonésia se tornasse muito comum no mar Adriático. Perto de Rimini existe tanto dessa alga que eles deixam o mar cor de barro, e a cidade perdeu muito turismo por causa disso.

Mas, contando o lado prático de visitar a praia, é bom dizer que existe uma praia pública em Rimini, algo que não é tão comum na Itália, e também praias particulares, onde você pode alugar uma sombrinha. Não é como no Brasil, a maior parte delas não vende comida, e os preços começam em torno de 15 euros por uma sombrinha com duas cadeiras. A que eu peguei com minha amiga custava 18 euros pelo dia, e a sombrinha tem um cofrezinho onde podíamos guardar as carteiras e telefones para ir nadar. Eu viajei com uma amiga e também alugamos um pedalinho com escorregador em cima, que foi bom para poder sair da parte rasa, porque até o mar estava quente.

Depois de algumas horas de praia, e da temperatura baixar um pouco, ainda deu para conhecer um pouco de Rimini. Comecei pelo Borgo San Giuliano, um bairro conhecido porque era uma aldeia de pescadores até pouco tempo atrás. A maioria das casas tem pinturas externas que me fizeram lembrar de Dozza, na Emilia-Romagna, e muitas com cenas de filmes do Fellini, um dos filhos mais famosos de Rimini.

Rimini borgo san giuliano 3

Rimini borgo san giuliano 1

Rimini borgo san giuliano 2

De lá, fui para o centro atravessando a Ponte di Tiberio, uma ponte da época romana. Ela era o começo de várias estradas na região, como a Via Emilia, que ligava Rimini e Piacenza, atravessando a moderna Emilia Romagna.

Ligando a ponte ao Arco di Augusto mais adiante fica o Corso d’Augusto, uma das principais avenidas de Roma desde a época romana, quando era o Decumano. Também por ela a gente passa em várias das praças principais da cidade, como a Piazza Tre Martiri e a Piazza Cavour.

Rimini piazza tre martiri 2

Rimini piazza cavour

Também fica nela o Cinema Fulgor, um cinema que é uma instituição da cidade porque é onde Federico Fellini viu seus primeiros filmes. O cinema acabou de passar por uma longa restauração, e em breve vai abrir também um cinema dedicado a Fellini.

Rimini cinema fulgor

Atravessando o centro, cheguei no Arco di Augusto, construído no ano 27 da nossa era, e que marcava o fim da Via Flaminia, que ligava Roma e Ariminum, a cidade romana que deu origem à moderna Rimini. 

Rimini arco di augusto romano

Depois passei na igreja mais famosa de Rimini, o Tempio Malatestiano. Ela foi construída por Leon Battista Alberti em 1450, e tem o nome de Sigismundo Malatesta, governante da cidade no século XV. A igreja é considerada uma obra prima do renascimento, com um crucifixo de Giotto e afrescos de Piero della Francesca.

Esse foi meu passeio em Rimini. Ainda tem mais para ver em uma próxima viagem como o castelo dos Malatesta ou outras ruínas romanas, mas foi bom para conhecer um pouco da cidade.

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