Museu Van Gogh em Amsterdam – um passeio pela vida do artista

Quando eu estive na Holanda, o Museu Van Gogh estava fechado para reformas. Foi uma decepção não ver o prédio famoso, mas pelos menos não perdi as obras, porque a coleção inteira estava disponível no Hermitage Amsterdam, onde ela foi colocada como no museu original. Eu achei que o museu inteiro era uma tentativa de nos imergir no mundo de Van Gogh – novelos de lãs enrolados nos mostravam como ele estudava o equilíbrio de cores, pinturas eram colocadas em molduras especiais de vidro que nos permitiam ver o verso da tela, onde ele tinha feito um rascunho, músicas compostas para a mostra só eram audíveis se você estivesse em frente ao quadro para o qual foram compostas. Como eu gosto muito das suas obras, foi uma experiência imperdível, mas acho que seria legal mesmo para quem não é tão fã.

As pinturas estavam organizadas de forma cronológica, e as primeiras foram as que Van Gogh pintou ainda na Holanda. Ele não começou a vida como pintor, na verdade ele trabalhou brevemente como comerciante de arte e chegou a morar em Londres, e, depois de um caso de depressão, ele resolveu se tornar um pastor e foi para um missão religiosa no sul da Holanda. Ele ficou muito impressionado com a pobreza da população de mineiros, e cedeu sua acomodação para um homem sem-teto, passando a dormir em uma cabana com chão de palha. As autoridades eclesiásticas não ficaram nada impressionadas e o acusaram de atentar contra a dignidade da igreja.
Foi por recomendação do irmão Theo, com quem ele manteve uma extensa correspondência, que ele começou a ter aulas de desenho e tentou retratar o que ele via. Eu gostei de ver as pinturas da época porque elas são o oposto das pinturas mais conhecidas dele. Elas são sóbrias, em tons escuros, e mostram um lado diferente dele.

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Crédito: wikicommons

Theo, que também trabalhava como comerciante de arte, disse que as pinturas do irmão não vendiam porque não se enquadravam às cores do impressionismo, que estava em voga. Ele tentou estudar teoria das cores, frequntando a Academia de Belas Artes de Antuérpia.

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Crédito: wikicommons

Depois ele se mudou para Paris, onde ele foi muito influenciado pela arte japonesa e pelo contato com outros pintores, como Seurat e Gauguin.

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cópia para estudo de uma pintura de Hiroshige. Crédito: wikicommons
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Crédito: wikicommons
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Créidto: wikicommons
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Crédito: wikicommons

Van Gogh se mudou depois para o sul da França, em Arles, sonhando em fundar uma colônia de artistas. Foi um período extremamente prolífico, em que ele completou mais de 200 pinturas a óleo. Quando o pintor Gauguin veio passar um tempo com ele, Van Gogh começou seu projeto mais ambicioso, decorando a casa com cerca de trinta pinturas. Mas a relação nunca foi a irmandade com que ele sonhou e se deteriorou rápido. Gauguin saiu da casa, e foi nesse momento que Van Gogh mutilou a própria orelha, mandando parte para uma prostituta que ambos conheciam. Ele foi internado logo depois, mas não tinha nenhuma memória do que aconteceu.

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Depois do que aconteceu em Arles, Van Gogh se internou voluntariamente em uma clínica em Saint-Rémy, na Provença. Lá ele tinha dois quartos, um dos quais usava como estúdio, e foi onde pintou uma de suas pinturas mais famosas, a Noite Estrelada (que está em Nva York e ainda não vi). Ele também fez muitas pinturas baseadas em obras mais antigas, que sua família mandou da Holanda.

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Depois ele se mudou novamente, para Auvers-sur-Oise, para ficar perto tanto de Theo quanto do Dr. Gachet, um médico recomendado por Pissarro, que tinha tratado vários artistas e era ele mesmo um pintor amador. Nas cartas a Theo, ele falava frequentemente na sua tristeza e solidão. Foi lá que ele morreu, aos 37 anos, com seu irmão Theo, que foi chamado às pressas da Holanda para estar com ele. Theo morreria meses depois, e hoje está enterrado no mesmo cemitério que o irmão, em Auvers-sur-Oise.
Por muito tempo a morte de Van Gogh foi considerada um suicídio, mas hoje existem controvérsias a esse respeito. Ele teria atirado no próprio estômago quando pintava nos campos, e depois andado até a casa onde estava hospedado. Quando li uma biografia dele, os autores, Naifeh e Smith, apontam que ele dificilmente poderia ter andado o caminho todo com essa ferida, e que ninguém que quer se matar com uma arma aponta para o estômago. Eles acham que pode ter sido um acidente, já que Van Gogh conhecia um grupo de jovens da cidade, um dos quais era obcecado com caubóis e tinha uma arma velha, que não funcionava bem. E que ele teria dito que era suicídio para que ninguém fosse acusado por um acidente. Recentemente, uma animação chamada Com Amor Vincent, baseada nas pinturas de Van Gogh também explorou as teorias do que teria levado à sua morte.

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Depois da morte dos irmãos, foi a viúva de Theo, Johanna Van Gogh-Bonger, e depois seu filho, Vincent Willem Van Gogh, que herdaram a maior parte das obras. Eles trabalharam para que elas ficassem conhecidas por todo o mundo, e também publicaram as cartas entre Theo e Vincent Van Gogh. Foi anos depois que o governo resolveu criar um museu para abrigar a coleção, que é hoje o museu mais visitado da Holanda e um dos mais visitados do mundo.

Eu visitei o Museu Van Gogh com o Museumkaart, um passe para todos os museus públicos na Holanda. Ele dura um ano para quem mora no país, mas parece que recentemente mudaram as regras e para os turistas ele vale “só” por um mês. De qualquer jeito, como na Holanda os museus são bem carinhos e cheios, valeu a pena. Dependendo do seu tempo no país, também vale a pena considerar o I Amsterdam (o que está incluído ou não varia, então confira antes).

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