Mestrado no exterior: como estudei para o IELTS por conta própria e sem pagar nada (e o resultado)

No post anterior, deixei dicas de como estudar para o GRE. Junto com o IELTS, esses foram os dois testes que precisei fazer para ganhar a minha bolsa para fazer mestrado na Itália. Comparado com o GRE, que exige conhecimento da prova, acho o IELTS bem mais direto e tranquilo, sem macetes ou de um estudo específico para ele. Fiz dois simulados online, fui para a prova, e pronto. Mas tem estratégias que eu aprendi para gerir o tempo e ficar menos cansada, e é isso que pensei que valia a pena dividir com quem vai fazer a prova.

Por que o IELTS?

Quando eu olhei os processos seletivos que queria tentar, todos aceitavam tanto o IELTS quanto o TOEFL. Olhei algumas informações para decidir qual eu queria fazer, e a maior diferença para mim foi que o IELTS dá a escolas e instituições um código que permite que eles confiram a sua nota, e é só mandar a versão digitalizada para cada escola, enquanto o TOEFL tem que ser mandado oficialmente. Você pode mandar as notas para quatro escolas na hora do teste, e depois tem que pagar trinta dólares para cada envio extra. Como eu queria espaçar os gastos, fiz o IELTS antes mesmo do processo seletivo para algumas universidades abrir, e não sabia se ia querer adicionar um processo seletivo de última hora, então foi conveniente poder mandá-lo a hora em que eu quisesse. Também pesou para mim a reputação de o IELTS ser mais reconhecido na Europa, que era onde eu queria arrumar uma bolsa, novamente para caso surgisse uma oportunidade de última hora.

 

Como o IELTS funciona?

O IELTS é dividido em quatro partes, segundo as competências que você deve desenvolver para ser considerado proficiente em inglês: Listening, Speaking, Writing e Reading. O Speaking geralmente é feito com um professor de inglês e gravado, e pode ser marcado em um dia diferente do resto da prova. Geralmente ele dura em torno de quinze minutos. Já os outros são feitos de uma vez, em uma turma com outros estudantes.
O IELTS tem duas versões: a Geral e a Acadêmica. Se você tá fazendo por um motivo específico, como imigração ou um processo seletivo, eles geralmente te informam qual versão você deve fazer e qual é a nota necessária. Isso porque na prova você não passa ou falha, mas recebe uma nota entre 1 a 9, que eles convertem para o Quadro Europeu Comum de Referências para Línguas (CEFRL) para te dar um nível entre A1 e C2.
Fica assim:

cefrl ielts

Ferramentas gratuitas para treinar:

A organização que prepara o IELTS oferece um número enorme de testes e simulados gratuitos para quem pretende fazer a prova. Eles tem um Canal no Youtube, materiais para prática, simulados, seminários, apps. Eu recomendo usá-los para fazer um auto-diagnóstico e decidir como estudar para a prova. Eu pelo menos, vendo a quantidade de materiais, achei desnecessário fazer um cursinho, até porque já tinha gasto muito com a inscrição.

Speaking

A melhor dica que me deram para o Speaking é lembrar que não importa o que você diz, mas como você se expressa. No início, isso é principalmente dar respostas longas, mas se mantendo no tema. Sempre perguntam onde você mora, por exemplo, então fale um pouco da cidade.
Depois, eles começam a fazer perguntas que não tem uma resposta certa. Por exemplo, na minha prova me pediram para falar por dois minutos sobre uma peça de roupa que tem valor emocional para mim. E deu branco, porque eu tenho roupas das quais eu gosto, mas não tenho nenhum que tem um valor enorme, uma história interessante, e sobre a qual eu poderia falar por dois minutos. Então eu inventei, e contei toda uma história sobre um lenço que uma amiga minha comprou em uma viagem e que era um símbolo da nossa amizade, descrevi o lugar onde ela teria comprado, o material do lenço, a cor. Mantive a história o mais próximo possível da verdade para facilitar: pensei em uma lenço e uma amiga que existem e falei que ela comprou o lenço em uma viagem para a Turquia, no Grand Bazaar de Istambul, assim pude falar de um lugar onde já fui e criar uma história interessante.
Depois eles me perguntaram se eu achava que moda exprime a identidade das pessoas, ou se isso é uma ilusão em um mundo em que peças são produzidas em massa. É a única de que me lembro especificamente, mas tive várias perguntas assim, que poderiam ser temas de redação, e eu passaria tranquilamente uma hora tentando expor vários argumentos. E no Speaking eu tinha que fazer um se vira nos 30. E eu tentava me lembrar que a intenção não é fazer um tratado, a resposta não tem que ser profunda, eles só querem ver se consigo me expressar com coesão e coerência, sem sair do tema.

Listening

O Listening para mim é a parte mais exaustiva do exame. Não é difícil, porque geralmente as perguntas são bem diretas. Mas são quarenta minutos, em que cada frase é dita apenas uma vez e com poucos minutos entre uma parte e outra que só dá para transcrever as respostas. É que no Reading e no Writing eu podia tirar dois minutinhos para descansar a cabeça quando quisesse, e o Speaking é curtinho, mas o Listening realmente me cansa.
Para mim, tem duas dicas importantes nessa parte: se você distrair e perder uma palavra, vá em frente para a próxima questão. Se você passar 20 segundos preocupando que perdeu uma resposta, perde a próxima também e vira uma bola de neve. E a segunda é para usar o pouquinho de tempo entre uma sessão e outra da prova para passar os olhos nas próximas questões. Isso ajuda a saber no que se concentrar.

Reading

O Reading foi a parte em que eu mais estava confiante e a que eu menos estudei. E felizmente não quebrei a cara, porque foi a minha maior nota. Eu podia estar um pouco consciente de ter menos experiência falando ou escrevendo do que a maioria dos candidatos, já que nunca fiz cursinho de inglês, mas sempre li muito, tanto livros quanto jornais e artigos acadêmicos.
Quando eu fiz os simulados, percebi que as questões sempre vinham em ordem. O meu método então era ler o texto para identificar os temas gerais, ler as questões e sublinhar as respostas, que estavam sempre no texto, uma a uma. Assim eu podia não ter a resposta da questão 3, por exemplo, mas tinha achado da 2 e da 4 então sabia em que parte do texto ela tinha que estar. Muita gente inclusive recomenda não ler o texto antes, mas depois de cada pergunta, mas para mim valeu a pena fazer assim porque tem umas muito fáceis e de cara já achei metade das respostas no texto, o que me indicou onde achar as outras. Também é útil porque muitas vezes eles fazem um verdadeiro e falso, só que com uma terceira opção que é Not Given, não tá no texto. Fazer as mais fáceis antes me permitiu concentrar no específico parágrafo em que a resposta ou tá ou não tá, ao invés de tentar reler tudo na insegurança.

Writing

O Writing é para mim a parte mais difícil de treinar por conta própria. Eu estudei o formato da prova, que geralmente tem uma redação mais curta e objetiva, como pedir para descrever um gráfico, e uma mais longa, discursiva. Eu escrevi redações quando fiz os simulados, dando vinte minutos para a primeira e quarenta para a segunda, e as reli depois tentando avaliar criticamente, o que talvez tenha sido pouco. Mas acho que o principal é parecido com o do reading: ler muito e desenvolver estratégias que funcionam para você. Com o ler muito, diria para ler também muitas matérias técnicas em revistas e jornais, que envolvem análise de gráficos, para pegar esse vocabulário. E eu sempre acho que me ajuda fazer esquemas dando uma ordem para o texto e decidindo que argumentos usar e quando.

Prepare-se para a maratona

Quando fiz os simulados, tirei o dia e fiz de uma vez só justamente para me acostumar com esse estilo maratona que essas provas costumam ter. Foi uma boa idéia fazer o Listening, o Writing e o Reading de uma vez, sem muitas pausas para ir ao banheiro ou pegar água, justamente para ter uma idéia de como seria no dia da prova.
Também no dia é bom se preparar, mas de outra forma, tentando relaxar. Nos dois dias das provas, fiquei batendo papo com quem também estava esperando, o que sempre ajuda. Em um deles, uma menina propôs para quem estava perto da gente bater papo sobre um tema qualquer, mas em inglês, para ficar no estado de espírito mais produtivo possível. Achei que foi uma ótima idéia.

Quanto eu fiz no final:
Listening – 8,5
Reading – 9,0
Writing – 8,0
Speaking 8,0
Nota geral: 8,5 CEFRL: C2

Deixe uma resposta