Volta ao Mundo em Livros: Vietnã – Paradise of the Blind

Quando eu estava escolhendo um livro para o Vietnã, Paradise of the Blind, de Duong Thu Huong. Em parte porque adoro ler livros censurados em seus países de origem, em parte porque a história parecia interessante. Ele também tinha muita propaganda que o apresentava como uma obra que “humanizava” os vietnamitas, em um imaginário frequentemente definido por filmes estadunidenses de guerra.

O romance é contado do ponto de vista de Hang, uma vietnamita de vinte e poucos anos trabalhando na Rússia soviética para mandar dinheiro para casa. Ela recebe um telegrama dizendo que seu tio está muito doente em Moscou, e que ela deve partir a seu encontro imediatamente. No trem, ela começa a pensar sobre a sua vida, e é de onde vem a maior parte da história.

Hang nunca conheceu o pai. Quando ela era criança, ela era atormentada pelas crianças do bairro por isso, e só quando ela tinha dez anos a mãe resolveu contar a história deles. Que, a mãe de Hang, ficou órfã muito nova e seu irmão partiu para lutar contra os EUA, que invadiam o país. Ela ficou sozinha na casa de família, se esforçando para cumprir todos os complexos rituais de luto e de respeito aos antepassados. Depois de um ano, ela se apaixonou por Ton, um homem local, e se casou com ele, o que foi um pequeno escândalo porque as regras do lugar diziam que ela devia esperar três anos.

Mas foi ainda pior quando seu irmão, Chihn, voltou da guerra e disse que ela não deveria ver o marido nunca mais, porque a família dele tinha sido reclassificada como latifundiários e inimigos do povo. Basicamente, eles tinham alguns terraços para plantar arroz e conseguiam contratar outros camponeses para ajudá-los nos momentos de mais trabalho, embora a família também tivesse que trabalhar nas plantações. Mas eles são chamados de exploradores do povo, humilhados e perdem tudo o que tinham. Ton foge da cidade, enquanto a sua mãe morre e sua irmã, Tam, continua a viver na cidade em miséria.

Anos depois, a reforma fracassou, e a família de Tam e Ton foi reclassificada como camponeses médios, e a revolta da população local se volta contra Chihn e, como ele não está lá, Que. Por mais que muitas pessoas recebam bens de volta, as fraturas entre pessoas continuam, o que Hang cresce vendo dentro da própria família.

A história centra muito nas três mulheres, Que, Tam e a própria Hang. Todas as três vivem em uma sociedade que acha que mulheres devem se submeter aos seus parentes homens, e tanto Que quanto Tam vão a extremos por isso, criando rancor entre elas e sofrimento para Hang. Ela pensa muito nisso, e como ela mesma, que ainda está se recuperando de uma doença e tem pouquíssimo dinheiro, está em um trem para atender o chamado de um tio que nunca ajudou a família do mesmo jeito. Infelizmente, o romance também reforça outros estereótipos de gênero. O modo como Tam é sempre descrita como uma mulher que nunca teve filhos, como se ela fosse menos completa por isso, é bem desagradável.

O livro é cheio de descrições dos lugares por onde eles passam, dos festivais, e principalmente da comida. Várias pessoas já tinham me advertido que o livro dá fome, e dá fome de comida vietnamita, dá vontade de provar tudo que ela descreve. Além da história, gente fica conhecendo muito da cultura pelo romance, o que sempre é algo que me interessa para esse projeto (e o Vietnã já é um dos países que eu mais tenho vontade de visitar).

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