Volta ao Mundo em Livros: Cabo Verde – O Testamento do Senhor Napumoceno

Eu escolhi o livro de Cabo Verde porque gostei das críticas da Camila Navarro no Viaggiando e da Ann Morgan no A Year of Reading the World. Olhei na Estante Virtual e achei na hora, estava bem barato, então ficou decidido.

O romance é basicamente a história de um “cidadão de bem”. O sr. Napumoceno deixa, ao morrer, um testamento de 387 páginas, as últimas delas manuscritas. Os oficiais até brincam que ele achou que escreveu um testamento, mas escreveu um romance. O sobrinho e herdeiro presumido, Carlos, diz que ele nem precisa ser lido em voz alta, incapaz de imaginar uma surpresa na vida do tio, tão metódico.

E realmente ele era metódico. Toda manhã ele tomava um banho de água fria às 7:20, bebia uma xícara de chá e comia uma torrada às 7:45, abria o gabinete às 8. Mas o testamento tem suas surpresas, a começar pelo fato de que ele não deixou quase nada para Carlos, mas para uma filha que ninguém sabia que ele tinha. Embora Carlos tivesse elogiado justamente sua postura com mulheres – ninguém sabia de um caso dele – ele tinha estuprado uma funcionária, que engravidou. Ele, como “cidadão de bem”, aposentou a funcionária e mandava uma pensão da empresa. Ouvimos também sobre alguns casos, embora ele condenasse a depravação dos outros.

O sr. Napumoceno criou capital por causa de um erro que se tornou sorte, o de encomendar um grande número de guarda-chuvas em um lugar onde nunca chove para logo começar a chover. Ele reconhece o erro, mas quer acreditar que foi instinto, tino comercial. Ele contrabandeia, mas porque nem sabia que isso era crime, e aliás direitos aduaneiros não passam de extorsão. É aquela velha história: o “cidadão de bem” rouba, mas justifica falando que roubaram dele antes.

Nós também o vemos pelos olhos de sua filha, Maria, que quer descobrir mais sobre o pai. Ela o tinha conhecido brevemente mas também não sabia que era sua filha, e tenta saber mais pelo primo, Carlos, e pelas fitas que Napumoceno deixou para trás.

O comentário feito no romance é muito bom, e nesse sentido e o recomendo. Gostei de como o autor expõe as hipocrisias do Sr. Napumoceno e da sociedade em geral. Mas não achei uma leitura muito agradável, e as cento e cinquenta páginas demoraram para passar. Talvez porque antes eu estava relendo a Ferrante, cujo estilo me fascina. Achei o estilo muito descritivo, e não me envolvi tanto com o livro como costumo.

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