Volta ao Mundo em Filmes: Suiça – Minha Irmã

É bom quando um filme vai contra os estereótipos de um país, e quando o país é de primeiro mundo, isso frequentemente acontece quando ele nos mostra que o país não é tão rico, desenvolvido e perfeitinho como a gente costuma imaginar. Foi o caso do filme da Bélgica, por exemplo. E agora foi o caso do filme da Suíça também.

A história de Minha Irmã (L’Enfant en Haut, 2012) começa com Simon (Kacey Mottet Klein), um menino de 12 anos que mora com a irmã mais velha, Louise (Léa Seydoux) em um complexo perto de uma estação de ski de luxo. Apesar da idade, é ele que sustenta os dois, roubando equipamentos dos turistas na estação e revendendo-os. Ela pega grande parte do dinheiro, gasta de forma irresponsável, e não consegue manter um emprego.

O contraste entre os dois mundos de Simon é enorme. Em cima da estação ele vê o mundo rico dos turistas de férias, das famílias despreocupadas em viagem. Lá ele se torna ligado a uma turista britânica (Gillian Anderson) que ele transforma em figura materna depois que ela insiste em pagar pelo seu almoço. Acostumado a passar despercebido na estação e a ser explorado pela irmã, ele fica sem reação. Quando ela pergunta sobre os pais dele, ele fala que eles são os donos de um hotel, que estão sempre ocupados e ele não tem irmãos, e que é por isso que ele vai à estação sozinho.

Em cima, é justamente a despreocupação dos turistas que torna fácil para Simon cometer pequenos furtos. Ele anda com o rosto coberto pelo casaco e a máscara de ski, e ninguém desconfia dele ou o reconhece. Quando pego por um trabalhador imigrante, ele diz que seus pais morreram em um acidente de carro, e ele sustenta a irmã, então os dois bolam um acordo para que ele continue trabalhando na estação.

Embaixo, Simon vive em uma área desolada, uma cidade industrial semi-deserta, com torres habitacionais de aparência triste. Além disso, ele tem que agir como adulto, e cuidar da irmã mais velha. Ela sai para beber, para viajar com o namorado, e deixa Simon sozinho. Quando o namorado dela pergunta, Simon diz que mora com os pais e só está lá por um tempo. A relação entre os dois é complexa, dominada por um segredo que o espectador intui desde cedo, mas que quando revelado, mantém sua força.

É a relação dos dois que leva a duas das melhores cenas do filme. A primeira é a cena em que ele leva a idéia de tentar comprar o amor de Louise a um ponto bastante literal e perturbador. Pensando na cena em que ele não soube como reagir quando a turista inglesa quis pagar algo para ele, é especialmente terrível. A segunda é o final enigmático.

É um filme bem interessante, e bem sucedido em mostrar dois lados do país: o afluente e turístico que a gente conhece, e a miséria e ausência do Estado que a gente nem imagina que também possam ser problemas por lá. Por isso, ele é bem interessante.

 

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