Volta ao Mundo em Filmes: Filipinas: Cativa

Eu conheci as obras do diretor filipino Brillante Mendonza em uma mostra de cinema, e me interessei muito pelo Cativa, uma representação da crise de reféns Dos Palmas.

A crise começou em 2001, quando vários turistas e funcionários foram seqüestrados em um resort nas Filipinas. Com o tempo, outros reféns foram feitos em outros ataques, e até hoje existe uma dificuldade de estimar exatamente quantas pessoas foram colocadas nessa situação. Algumas estimativas falam em mais de cem.

O diretor classificou esse filme como 25% ficcional. Alguns personagens (como a missionária francesa interpretada por Isabelle Huppert, vagamente baseada na missionária americana Gracia Burnham) e cenas foram adicionados para dar coesão à narrativa, mas muito do filme foi tirado dos testemunhos dos reféns libertados. Ele é filmado em um estilo inspirado por documentários, com uma narrativa cronológica e marcações de locais e datas.

O diretor disse que pretendia fazer uma representação realista dos seqüestros, mostrando os membros da milícia como sendo capazes de compaixão em um momento, e brutalidade no próximo. Mas acho que o estilo do filme não ajudou a passar essa mensagem, e eu senti que ele era bem mais maniqueísta do que o diretor pretendia. O diretor foi muito criticado por algumas cenas, como aquelas em que eles jogam bíblias no mar e comemoram o 11 de setembro, o que é o estereótipo do terrorista muçulmano. A maior tentativa de mostrar os dois lados parece ser a relação de cuidado que Huppert desenvolve com um dos captores, um jovem adolescente com uma infância terrível, mas ainda assim parece muito pouco.

Alguns momentos são terríveis de se assistir, como a mulher que dá a luz nessa situação, os casamentos forçados, cenas de assassinatos e estupros. Também se sugere que havia conivência dos militares, que estavam levando parte do dinheiro dos resgates, o que foi uma das grandes polêmicas no relato da missionária americana Gracia Burnham.

A câmera foca muito na Isabelle Huppert, o que por um lado é ótimo porque ela é uma excelente atriz, mas que é sintomático. Os sequestros só ficaram nas manchetes dos jornais ocidentais por mais de um ano porque entre as vítimas estavam três americanos, e o filme que reconta esse evento teve repercussão em parte por ter uma das grandes figuras do cinema francês.

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