O Cais do Valongo a valorização da história negra do Brasil

Por muitos anos, a história negra do Brasil foi escondida, desvalorizada e em alguns casos literalmente enterrada. Foi o caso do Cais do Valongo, cuja localização precisa não era conhecida porque ele foi soterrado em uma tentativa de esconder uma página vergonhosa da nossa história.

Ele foi o porto que o maior número de escravos chegou nas Américas, entre 500 mil e um milhão de pessoas. Sua localização, durante as escavações do Porto Maravilha, é um marco para a recuperação dos marcos da história negra do Rio. Ele foi recentemente declarado patrimônio da humanidade pela UNESCO, e se fala agora em criar um museu sobre a escravidão, algo fundamental para que não esqueçamos nossa história.

Cais do Valongo Rio

Por isso ele foi eleito por ser uma “memória sensível”, mesmo caso do campo de concentração de Auschwitz ou de Hiroshima. Ele representa um crime contra a humanidade, e por isso é fundamental que seja visitado, discutido e valorizado.

Muitos ex-escravos se estabeleceram por lá, ao redor da Pedra do Sal. A população era tão grande que o lugar ficou conhecido como Pequena África. Foi lá, acredita-se, que o samba nasceu, e até hoje existe uma roda de samba famosa. Ela acontece todas as segundas e sextas, a partir das 18 horas.

Lá perto ficam os Jardins Suspensos do Valongo. Ele foi parte das modernizações feitas por Pereira Passos no Rio, com paisagismo, estátuas e uma vista linda para o centro. Antes disso, lá ficavam as casas de engorda, em que escravos eram alimentados para poderem ser vendidos por bons preços, depois das condições debilitantes, quando não fatais, dos navios negreiros.

Cemiterio dos Pretos Novos Rio

Outro lugar para visitar por lá é o Cemitério dos Pretos Novos. Lá foram enterrados entre 20 e 30 mil escravos, jogados em valas e queimados. Hoje lá fica um centro cultural para o resgate da cultura africana do Rio, mas ele está sofrendo ameaças, com dificuldades de verbas. Ele recebe 2 mil reais por mês do governo municipal, mas isso mal cobre os custos, e eles querem oferecer cursos, workshops, organizar exposições.

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