Shakespeare’s Globe: vendo peças no teatro de Shakespeare

Uma das experiências mais legais que eu tive em Londres foi de ver duas peças do teatro Shakespeare’s Globe, uma reconstrução muito fiel do teatro em que Shakespeare realmente apresentou várias de suas peças mais de quatro séculos atrás.

Foi em 1599 que a companhia teatral de Shakespeare, Lord Chamberlain’s Man, construiu o Globe. Ele foi construído na parte sul do rio Tâmisa, fora da cidade de Londres, a milha quadrada, onde as leis para peças de teatro eram mais restritivas. Em 1613, ele foi destruído em um incêndio durante uma performance de Henry VIII, e foi reconstruído no ano seguinte. Em 1642, ele foi fechado pelos puritanos, como os outros teatros da cidade.

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Imagem do Globe original desenhada por Hollar

Em 1970, o ator americano Sam Watanabe, apaixonado por Shakespeare, procurou em Londres o lugar onde o teatro ficava. Ele perguntou para várias pessoas, mas ninguém sabia onde ele ficava. Depois de muito custo, ele achou uma pequena placa que indicava onde ele ficava.

Frustrado pela pouca atenção dada ao lugar, ele começou a coletar fundos para uma reconstrução. Ele enfrentou várias dificuldades, inclusive de gente que achava um horror que era um americano tomando essa iniciativa. O lugar original do Globe tinha agora um prédio tombado, então ele teve que fazer a construção a alguns metros do original.

Exposição no Globe - peças de Shakespeare
As peças de Shakespeare colocadas em uma linha do tempo com os teatros onde foram apresentadas

Os estudos sobre como era o prédio original geraram vários projetos para construir outros Globes em várias partes do mundo, o que foi apoiado por Watanabe. Eles foram construídos na Argentina, em Baden, Roma, Tóquio, Dallas, Wroclaw e outras.

Expressões inventadas por Shakespeare
Expressões inventadas por Shakespeare

Watanabe conseguiu várias concessões da prefeitura, inclusive construir os telhados em zinco, o que é proibido em Londres. O teatro não tem microfones, alto-falantes ou iluminação artificial. Mas também fez duas concessões para os tempos modernos: o teatro tem entradas para deficientes e sprinklers. 

Roupas de época usadas nas peças Shakespeare's Globe
Roupas usadas nas peças, vistas no tour

O teatro abriu em 1997, e desde então tem peças todos os verões. Em 2014, ele abriu um teatro fechado para peças no inverno, chamado de Sam Watanabe Theatre. Além de teatros, eles fazem leituras de peças de época, um festival chamado de Read not dead.

Roupas de época usadas nas peças Shakespeare's Globe 2

Se você conseguir pegar uma peça, ótimo. Se não conseguir, ou não tiver interesse, a visita ainda vale a pena. O museu dentro é ótimo, e o tour incluído conta muito sobre Shakespeare e a reconstrução do teatro.

Eu consegui pegar duas peças no Shakespeare’s Globe, Julius Ceasar e Titus Andronicus. Em Julius Ceasar, eu fui uma penny stinker. Era assim que eles chamavam as pessoas que ficavam nos lugares baratos, em que você assiste a peça de pé perto do palco, exposta à chuva – choveu a peça inteira, e acabei comprando um poncho de plástico que eles vendiam. O ingresso não custa mais um penny, mas o preço ainda é bem acessível. Eu paguei cinco euros. Não me incomodei tanto de fcar de pé, em parte porque era uma peça em que os atores interagiam com a platéia, e foi legal estar no meio da confusão.

Palco Shakespeare's Globe
Ele foi reconstruído com madeira encaixada e pintada para imitar mármore

Titus Andronicus eu vi sentada. A peça é considerada a mais sangrenta de Shakespeare, e tinha um cartaz que dizia “Quentin Tarantino eat your heart out”. Tinha uma ambulância do lado de fora porque muitas vezes alguém desmaiava durante a peça. Por essa peça eu paguei 27 libras. Os lugares tem preços variáveis, a partir de 20 libras, e você pode também alugar uma almofada para sentar mais confortavelmente nos lugares de madeira, como na época de Shakespeare.

Shakespeare's Globe Londres

Depois também peguei a companhia em Belo Horizonte mesmo, quando eles estavam fazendo Hamlet from Globe to Globe, apresentando a peça em todos os países do mundo para celebrar o aniversário de 400 anos da morte de Shakespeare. Foi um projeto maravilhoso, mas ainda pretendo pegar Hamlet no Globe um dia – ou no Castelo de Elsinore, na Dinamarca, onde ela se passa. Quem sabe?

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