Durante a Tallinn Summer School, a excursão mais diferentona que planejaram para a gente foi centrada em lugares de lazer da época soviética. A gente estuda pouco a União Soviética, e menos ainda os lugares de lazer, e eu aprendi muito nesse dia.
O primeiro lugar em que paramos foi uma coletiva de jardinagem. Jardinagem era um passatempo importante na Estônia, e por isso os soviéticos construíram espaços coletivos, onde qualquer habitante da cidade podia conseguir um pedaço de terra para cultivar flores ou vegetais.

Depois visitamos os lugares onde estonianos podiam construir uma segunda casa, que também na época soviética era um privilégio. Existiam cooperativas para construir essas casas, e as que vimos eram sempre perto de florestas, embora a praia também fosse um lugar popular. Vimos uma que parecia um pouco um condomínio brasileiro, com as casas em lotes definidos, cercadas de um pomar, ou de equipamentos de esportes.


A segunda já era bem diferente, porque a regra do lugar era que as casas tinham que parecer isoladas na floresta. Era proibido ter cercas ou plantar algo, para não estragar a ilusão de que você estava bem no meio da floresta. O guia nos contou que muita gente trapaceava, colocava uns arbustos com morangos perto de casa e fingia que eles apareceram. O que mais tinha era mirtilo selvagem crescendo perto das casas. Mas eu acho que ainda parecia um lugar pouco cultivado, um meio da floresta, e as casas nesse tipo de condomínio ainda são populares.


Depois fomos ver hotéis da época soviética. O primeiro ficava na praia, e era conhecido pela arquitetura modernista. Vimos os quartos, a sauna, o caminho para a praia, tudo tentando não incomodar os hóspedes porque o lugar ainda funciona como hotel. Eles nos contaram um pouco sobre como era na época soviética. Hotéis eram bem populares para as férias, principalmente os no mar negro, na Ucrânia ou na Geórgia. Para os outros, tinha um número enorme de lugares, muita gente que tinha uma segunda casa ou que ia para a casa de amigos, então não era difícil conseguir lugar. Para esse hotel, qualquer um podia preencher uma requisição para ficar lá por uma ou duas semanas.



O segundo hotel que visitamos pertencia ao sindicato dos trabalhadores de telégrafos. O guia nos contou que existiam muitos hotéis assim, que geralmente eram exclusivos ou dava prioridade para os membros do sindicato. Esse era um hotel fazenda, também muito famoso pelas saunas, que visitamos.


Depois do almoço, nós mudamos um pouco o foco do lazer e fomos na estação desativada de submarinos em Hara. Ela foi construída entre 1956 e 1958 pelos soviéticos, e foi usada até a independência da Estônia em 1991. Depois, ele virou um lugar para exploradores urbanos, e por isso hoje está coberto em graffiti.





A última parada do tour foi a fazenda coletiva de Kiiu. Ela tem uma torre medieval com varanda preservada, então parecia bem diferente dos outros lugares que vimos. Mas claro, os soviéticos não destruíram tudo pelo que passaram, e a torre foi usada durante o período. Os donos atuais dela eram trabalhadores da fazenda coletiva, que nos contaram como eles odiavam os soviéticos e como a identidade estoniana foi reprimida no período, mas como muita gente da geração deles tem uma visão nostálgica da época, porque essa é uma geração que, com o fim da URSS, nunca mais conseguiu se aposentar. Por isso, eles tiveram que aprender inglês e transformar a torre em um lugar turístico, que também tem um licor de ovo muito famoso.



Na volta, como todo mundo tinha comentado sobre as casinhas idílicas na floresta, o ônibus passou pelos bairros em estilo soviético de Tallinn. A gente conhece mais o centro histórico medieval ou os bairros ricos lá perto, como onde é a universidade, mas a maioria da população de Tallinn mora em grandes torres em prédios construídos depois da Segunda Guerra.

Essa foi a excursão, deu pra ver muitos lugares diferentes pelo país.
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