Volta ao Mundo em Livros: Alemanha – The Quest for Christa T.

Quando eu estava procurando um romance para representar a Alemanha, eu me interessei por Christa Wolf em parte porque ela sempre aparecia descrita como uma escritora da Alemanha Oriental. A Alemanha foi reunificada no ano em que eu nasci, e apesar de ver os restos do muro e a celebração da Ostalgia (a nostalgia pela Alemanha oriental) em Berlim, tudo ainda parece remoto. No entanto, quanto mais eu leio sobre o país, mais as sequelas da divisão aparecem. E por isso me interessei por essa escritora que era amplamente lida e tida como uma profetisa do seu país. Escolhi o romance The Quest for Christa T.

O romance tem uma narradora sem nome, que lembra de sua amiga, Christa T., que morreu de leucemia aos trinta e cinco anos. Ela usa suas próprias memórias, assim como os diários e cartas de Christa, para reconstituir a história delas. E as vidas delas parecem bem banais a princípio. As duas tinham se conhecido na escola, em 1942, ou seja, em meio à Segunda Guerra. Depois elas se perderam de vista por anos, até finalmente se reencontrarem na Universidade em Leipzig. Depois Christa se casa, tem três filhos, guarda dinheiro para construir uma casa a beira de um lago, e descobre que tem leucemia, já muito avançada.

O que dá charme à narrativa é como a narradora tenta mostrar a vida interior da amiga, como Christa questionava tudo, sentindo-se irrequieta. 

Christa quer ser um indivíduo, e é por isso que esse romance que a primeira vista não parece ter nada de político é geralmente descrito como uma crítica à Alemanha Oriental. A autora, pelo que eu li, sentiu um grande vazio depois da guerra, e tentou cobri-lo dedicando-se ao comunismo. Depois ela se decepciona muito com a Alemanha Oriental, principalmente sentindo que eles não estimulam a arte e a vida interior, mas que os sufocam em nome da uniformidade, do conformismo. Wolf disse que esse foi o primeiro romance em que ela realmente achou sua voz, e talvez também por isso vi tanta semelhança entre ela e a personagem. 

O governo da Alemanha Oriental por sua vez denunciou o livro, chamando-o “uma tentativa de substituir Marx por Freud”. Livrarias nos anos 60 tinham ordens de não vender o livro para qualquer um. Eles também entenderam o romance como uma crítica, talvez bem maior do que a que Christa Wolf pretendia: ela sempre acreditou no comunismo, e, quando ele caiu, ela se retirou da vida pública. 

Também achei muitas semelhanças entre o romance e minha atual obsessão, A Amiga Genial, da Elena Ferrante. Nos dois casos, uma amiga escreve sobre outra, que sempre a fascinou. E em ambos, ela escreve para que a amiga não desapareça, mas por motivos diferentes: a Christa tem medo desse destino, enquanto ele é exatamente o que a Lila de A Amiga Genial quer. 

Gostei muito do romance, ele preencheu justamente a lacuna em que eu estava pensando, e por isso foi uma boa escolha para aprender um pouco mais sobre a Alemanha.

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