O tradicional Banya russo – onde bater na pele com ramos de bétula conta como relaxar

Quando eu estava em Moscou, peguei uma sinusite que me derrubou por três dias. Uma hóspede russa mais velha veio em meu socorro. Ela esfregou alho cru em um pedaço de pão preto, enquanto explicava como alho era o melhor remédio, e me fez comer. Depois me fez tomar três shots de vodka e disse que esse era o segundo melhor remédio. Depois ela me disse muito séria “se isso não der certo, só tem uma solução: você tem que ir para o Banya!”

O Banya é a sauna russa, que segundo eles melhora a circulação, o crescimento de células e expulsa as toxinas. Também é uma parte importante da cultura, sobre a qual eu já tinha lido em romances clássicos, e que eu queria muito experimentar. Não fui em Moscou no final, porque o alho e a vodka funcionaram, mas quando eu estava trabalhando em um albergue em Petersburgo, nossa chefe nos levou a um.

 

Nós chegamos, trocamos pelas roupas de banho, e recebemos toalhas, chinelos, roupões touquinhas de feltro para proteger o couro cabeludo. Na maioria das saunas, o espaço é dividido por gênero e as pessoas vão nuas. Esse era misto e os biquínis eram opcionais, mas preferimos usar. Nós fomos levadas à primeira sala, onde nos sentamos para comer biscoitos e tomar chá. Eles são bons para relaxar, mas também são fundamentais para se hidratar entre uma sauna e outra, já que a sauna russa é super quente e te resseca rápido. Então depois de relaxar com chá, era hora de desejar umas a outra ‘s lyorkim parom’ (с легким паром), com vapores leves, e tentar a sauna.

 

Fomos primeiro para a sauna estilo russo, que é menos úmida e mais quente do que o estilo que eu já vi aqui no Brasil. Os funcionários da sala nos contavam que ela chega a oitenta graus, e que eles já foram em uma na Sibéria em que as pessoas depois saíam e corriam na neve – a menos quarenta. Então a diferença era de cento e vinte graus.

Essa é outra parte importante do banya – alternar o quente e frio. Então depois da sauna é importante ir para o chuveiro ou a piscina frios, se enrolar no roupão e tomar chá, e depois recomeçar. Nos intervalos, os funcionários também aproveitavam para tocar música com instrumentos tradicionais.

 

Em uma das vezes em que voltamos, nos ofereceram os veniki – os ramos de bétula que os russos usam para bater na pele e ativar a circulação. Como a gente não sabia o que fazer com eles, nos ofereceram uma “massagem” – ou seja, que a gente deitasse de costas enquanto eles nos batiam com os ramos. É surpreendente relaxante e revigorante, e depois eu fiquei coberta de folhinhas de eucalipto, que eles misturam para dar um bom cheio.

 

Nós ficamos no banya por cerca de quatro horas, e, segundo a minha chefe, isso é bem comum. A intenção é relaxar, então não dá para ir com pressa. Eu curti bastante a experiência, e recomendo.

Na Rússia dá para experimentar lugares tradicionais e chiques, como as Sanduni em Moscou ou as Yamskie em Petersburgo, as preferidas de Dostoiévski. Os mochileiros do albergue geralmente preferiam lugares mais baratos, como as Bersenevskiye, uma destilaria transformada em banya hipster, ou as Krasnopresnkiye, mais popular. Vale sempre ver se seu albergue, como o meu, tem um convênio.

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