Lugares da Segunda Guerra

Como estudante de história, eu gosto muito de aprender sobre a Segunda Guerra. Não só sobre o que aconteceu na época, mas sobre como nós a lembramos, como falamos sobre ela. Esse post é um índice dos lugares que eu visitei e sobre os quais escrevi aqui no blog, desde os que me emocionaram aos que me provocaram raiva de ver o negacionismo em tantos lugares.

 

Filmes e livros para se preparar antes de visitar um campo de concentração

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Não é fácil visitar um campo de concentração, a visita já é chocante e a gente quer que seja ainda mais profunda, que possamos aprender tudo que é possível com essa experiência. Se você quer mais bagagem antes de visitar, aqui estão algumas sugestões de por onde começar.

Leia mais: Filmes e livros para se preparar antes de visitar um campo de concentração

 

A fábrica de Schindler e o gueto de Cracóvia

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A Fábrica de Schindler, no gueto de Cracóvia onde judeus foram presos na Segunda Guerra, foi transformada em um museu que conta a história da cidade entre 1939 e 1945, com uma sessão especial que conta a história de Schindler, o industrialista que salvou centenas de judeus durante o Holocausto. Muita gente vai para lá depois de ver A Lista de Schindler, que foi filmado não no gueto, mas no bairro judeu vizinho, Kasimierz, que também vale a pena incluir na visita.

Leia mais: O Gueto de Cracóvia e o Museu do Schindler

 

O campo de concentração em Auschwitz, Polônia

 

Se você já viu filmes sobre a Segunda Guerra, às vezes acha que sabe o que esperar de Auschwitz. Mas ver os lugares onde tantas pessoas foram assassinadas, ver os brinquedos tirados deles, os aparelhos ortopédicos, o cabelo usado para fazer travesseiros, é algo para o qual é impossível se preparar. Quando eu visitei, eu comecei a visita em um tour, ouvindo as histórias da guia, e depois fiquei mais para ler as histórias nos galpões dedicados a cada país.

Leia mais: Visitando o que resta de Auschwitz

 

O memorial dos sapatos e a jardim da sinagoga, Budapeste

 

Em janeiro de 1945, em pleno inverno, os nazistas levaram judeus à beira do Danúbio, em Budapeste, mandaram que eles tirassem os sapatos, e dispararam. Hoje um memorial de sessenta sapatos de bronze lembram o massacre. Outros lugares em Budapeste também valem muito a pena para quem se interessa pela Segunda Guerra, como a Sinagoga Dohány, um maravilhoso prédio Art Nouveau com um jardim que lembra todos que se arriscaram para salvar judeus, e que foi nomeado em honra ao diplomata sueco Raoul Wallenberg, que foi a Budapeste para tentar salvar tantos judeus quanto conseguisse. No post eu também conto um pouco da história dele.

Leia mais: Lugares da Segunda Guerra em Budapeste

 

Casa do Terror, Budapeste

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Esse tá no topo dos lugares que me provocam raiva. Essa casa foi usada pelos serviços secretos tanto dos nazistas quanto pelos soviéticos, e há uma história importante para contar aí. Infelizmente não vai ser nesse museu, organizado por uma historiadora que acha que os judeus aumentam o número de mortos durante o Holocausto e que o comunismo foi a vingança deles pela Segunda Guerra. Ele é cheio de mensagens anti-semitas, sentimentalismo barato e falsidades históricas, como a tentativa de caracterizar 56 como um movimento anti-comunista, e na verdade não passa de propaganda do governo do Orbán.

Leia mais: Casa do Terror, uma propaganda política

 

Bunker do Churchill, Londres

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No Bunker, a gente vê o melhor da tecnologia e espionagem da época, e foi um lugar onde estratégias para a guerra eram desenvolvidas e discutidas. Churchill continua uma figura controversa – Gandhi chegou a dizer que o que Hitler era para a Europa, ele era para a Índia, mas o bunker dá uma visão de por trás dos bastidores que ainda vale a pena.

Leia mais: O Bunker do Churchill em Londres

 

Vestígios da Blitz em Londres

 

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Durante a Segunda Guerra, milhares de bombas foram atiradas sobre Londres. 150 mil pessoas dormiam nos trilhos do metrô toda noite, que servia como abrigo anti-aéreo. No post eu falo de alguns monumentos que lembram essa época, como St. Dunstan in the East, uma igreja que foi preservada como ficou depois de um bombardeio, e ando pelas áreas reconstruídas em arquitetura brutalista, como o Barbican.

Leia mais: Vestígios da Blitz, os bombardeios de Londres

 

Castelo de Praga

 

Quando a República Tcheca foi anexada como o Protetorado da Boêmia e da Morávia, Hitler enviou Heydrich, do alto escalão nazista, para governar a cidade. Ele se estabeleceu no Castelo de Praga, e dizem que chegou a colocar na cabeça a coroa dos reis tchecos, provocando uma maldição.

Ao mesmo tempo, dentro do castelo, uma cartomante previa a queda do governo e um cineasta escondia filmes proibidos. O Castelo de Praga já é um dos lugares mais famosos da cidade para visitar, mas as histórias da Segunda Guerra me fizeram apreciá-lo ainda mais.

Leia mais: Três lugares que contam a história de Praga durante a Segunda Guerra: Parte I, o Castelo de Praga

 

Igreja de São Cirilo, em Praga

 

A Igreja de São Cirilo conta uma história que parece ficção: a do assassinato de Heydrich, um nazista de alto-escalão que tinha ficado conhecido como Carrasco de Praga. Depois do atentado, os dois resistentes se esconderam nessa igreja, enquanto o governo nazista lançava uma campanha enorme de perseguição que apagou cidades inteiras do mapa. Eventualmente eles descobriram onde eles estavam, e é a batalha entre sete resistentes e 750 soldados que é contada na cripta da Igreja.

Leia Mais: Três Lugares que contam a história de Praga na Segunda Guerra: Parte II, Igreja de São Cirilo

 

Sinagogas de Praga

 

As sinagogas de Praga foram preservadas por ordem de Hitler: ele pretendia que elas se tornassem um museu para a extinta raça judaica. Hoje você pode visitar quatro sinagogas com o mesmo bilhete, e elas formam juntas um museu sobre a história dos judeus na República Tcheca.

Leia mais: Três lugares que contam a história de Praga na Segunda Guerra: Parte III, Museu Judaico

 

O Campo de concentração propaganda em Terezín

 

Terezin era conhecido como um campo-propaganda. Os nazistas fingiam que estavam apenas [sic] deportando os judeus para cidades mais ao leste, e usavam Terezin para montar uma farsa de que essas cidades eram auto-geridas. Ela chegou a ter uma inspeção da Cruz Vermelha, em que os representantes da organização andaram por uma rota pre-determinada no campo, sem notar as mensagens que os prisioneiros tentavam passar quando tocavam músicas como a canção popular “eu me fiz bela para você”.

Por causa da farsa, muita da produção artística de Terezin foi preservada, inclusive os desenhos das crianças, que são uma das partes mais tocantes do museu.

Leia mais: Eu me fiz bela para você: o campo de concentração-propaganda de Terezin

 

O Dia da Vitória, o maior festival da Rússia

 

O maior festival da Rússia é dedicado a lembrar a Segunda Guerra – ou a usar as imagens de grande sacrifício e grande vitória para benefício do Putin, dependendo da sua opinião. Eu vi os ensaios, com tanques na maior avenida de Moscou e um parque inteiro para os desfiles, e depois vi o Festival nas ruas de Petersburgo

Leia mais: Dia da Vitória – Minhas experiências nos ensaios e nas ruas durante o festival que lembra a Segunda Guerra na Rússia

 

Museu do Cerco de Leningrado, em Petersburgo

 

Hitler estava tão confiante na captura rápida de Petersburgo que ele mandou fazer convites para uma recepção de gala para oficiais nazistas no hotel Astoria, no centro da cidade. Ao invés disso, a cidade se viu presa em um cerco, em que os nazistas cortaram a entrada de comida e gás para que os habitantes morressem de fome e frio e se rendessem. A história da sobrevivência da cidade é quase miraculosa, e também nos conta muito sobre a União Soviética, onde Stalin ficou com inveja da narrativa de cidade-heroína e proibiu um museu que contava a história do certo. Hoje ele foi reaberto, e eu fui lá visitar, como contei nesse post.

Leia mais: Museu do Cerco em Petersburgo

 

Museu Judaico de Moscou

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O Museu conta a história dos judeus na Rússia desde que eles se estabeleceram durante o Império, e conta da perseguição, dos pogroms e das associações que se formaram. A parte sobre a Segunda Guerra é enorme, completamente traduzida para o inglês e vale muito a pena. Entre um terço e metade dos judeus assassinados no Holocausto estavam em território da URSS, e a maioria dos seus túmulos até hoje não tem marcação. Ótimo para aprender a história da guerra, mas também para ver que a perseguição aos judeus não foi uma exceção, mas que tinha uma história, e que, tristemente, não parou por lá.

Leia mais: O Museu Judaico de Moscou

 

Museu judaico em Tallinn

 

A Estônia ficou tristemente famosa como o primeiro país a ser declarado judenfrei – livre de judeus. Todas as singagoas foras destruídas, todos os judeus tinham sido assassinados, fugido para a União Soviética ou estavam escondidos. Só nos anos 2000 o país voltou a ter uma sinagoga e construiu um Museu Judaico para lembrar essa história trágica.

Leia mais: Museu Judaico de Tallinn

 

Memorial Lipke, Letônia

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Os Lipke foram uma família que se arriscou para esconder judeus e outros perseguidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra. Depois também salvaram jovens que tinham sido obrigados a se juntar aos nazistas dos soviéticos. Hoje um museu moderno foi construído com a forma de uma arca, e conta a história deles. Em uma época de crescente popularização, é uma história inspiradora.

Leia mais: Memorial Lipke, A história de como uma família de Riga se arriscou para salvar judeus do Holocausto

 

Memorial do Holocausto, Berlim

 

O Memorial do Holocausto de Berlim é polêmico desde que foi construído. Algumas pessoas acham que ele não significa nada se você já não souber o que ele quer representar, enquanto outros acham que essa é exatamente a vantagem, porque você pode andar por ele e entrar no museu porque parece interessante, sem que você já tivesse a intenção de ver um museu sobre o Holocausto. A entrada é gratuita e as histórias contadas são muito emocionantes, então melhor ir e descobrir em que campo você está.

Leia mais: Como Berlim se lembra do Holocausto, parte I: Memorial do Holocausto em Berlim

 

Museu judaico, Berlim

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Um projeto moderno que tenta mostrar em três eixos os caminhos dos judeus alemães no século XX: a Continuidade, a Emigração e o Holocausto. A história é contada de uma forma vívida, que além dos eixos foca em cinco “espaços vazios” e instalações artísticas.

Leia mais: Como Berlim se lembra do Holocausto, parte II: O Museu Judaico de Berlim

 

Bebelplatz, Reichstag e pedras de tropeço

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A terceira parte da série sobre como Berlim se lembra do Holocausto fala de vários lugares. Um é o Reichstag, que foi queimado e deu aos nazistas a desculpa para um golpe de estado. Também fui a Bebelplatz, a praça onde eles queimavam livros (e “onde queimam livros, logo queimarão pessoas”, como nos lembra Heinrich Heine). Também tem a Topografia do Terror, a Sinagoga Nova, e as pedras do tropeço, espalhadas por toda a Europa para nos lembrar onde moravam aqueles que foram deportados para campos de concentração.

Leia mais: Como Berlim se lembra do Holocausto, Parte III: pedras de tropeço, Reichstag, Bebelplatz e outros

 

A casa de Anne Frank

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A Anne Frank foi de criança escrevendo sobre o seu dia a dia em um diário para um dos relatos mais comoventes já escritos sobre ser perseguido por ser quem você é. E por isso a casa onde ela passou dois anos escondida dos nazistas hoje é um dos museus mais visitados da Holanda, onde gente do mundo todo vem para conhecer mais da sua história.

Veja mais: em breve

 

Monumentos em Amsterdam

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Em Amsterdam, vários monumentos lembram a Segunda Guerra. O post segue o itinerário de monumentos como o da foto, o primeiro do mundo a lembrar a perseguição nazista a homossexuais. Monumentos também honram as mulheres de Ravensbruck, a resistência judia, os trabalhadores que se levantaram em uma greve geral, e outros.

Leia mais: Lugares da Segunda Guerra em Amsterdam

 

Pratello R’Esiste, Bologna

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Na cidade vermelha da Itália, conhecida pelo ativismo, um festival todo abril lembra os partigiani que libertaram Bologna antes mesmo da chegada dos aliados. O festival ganhou um escopo maior a cada ano, lembrando as vítimas do terrorismo neofascista na Itália, como no atentado em que uma bomba foi colocada na estação de trem nos anos 80, e movimentos pela liberdade hoje em dia.

Leia mais: em breve