Volta ao Mundo em Livros – Uzbequistão: Jamila

O Uzbequistão é um daqueles países sobre os quais as indicações são unânimes. Quando a gente procura saber de um autor, todos falam de Chingiz Aitmatov. Escolhi sua novela mais famosa, Jamilia.

A novela conta a história de Seit, um adolescente que vive em uma vila do Uzbequistão durante a Segunda Guerra Mundial. A maioria dos homens foi convocada para o front, e ele vive por isso com a mãe, a segunda esposa do pai, e a nora dela, Jamilia. Apesar de ser muito jovem, ele tem que largar a escola para trabalhar no kolkhoz, uma fazenda coletiva soviética. Isso faz com que muitas pessoas da vila o tratem como se fosse mais velho, e ele se orgulha de ser chamado de “provedor de duas famílias”. Acima de tudo, ele se preocupa em cuidar de Jamilia, da qual morre de ciúmes.

Apesar da diferença de idade entre eles ser pequena, ele a chama formalmente de djembe, esposa do irmão mais velho, e ela o chama de menino. E a vida deles é bem marcada pela forma cerimonial da vila. Quando o marido de Jamilia manda uma carta, ele tem o cuidado de endereçá-la ao padrasto, mesmo sabendo que ela será entregue à madrasta e é o irmão que a lerá. Ele formalmente pede notícias de todos da família seguindo uma hierarquia, em que o padrasto vem primeiro e a esposa só merece uma linha no final. Jamilia é julgada pela vila por ser independente, e por comportamentos como rir muito alto e cantar canções populares. As duas sogras a defendem, achando bom ter jovens em uma casa que espera notícias de quatro filhos que estão no front.

Essas maneiras entram em conflito com as novas expectativas de vida soviéticas – como as fazendas coletivas, ou mesmo o estabelecimento de cidades – e as necessidades de guerra. Por isso, apesar do protesto das sogras, Jamilia e Seit tem que transportar grãos até a estação de trem para ajudar a estabelecer o front – o que antes seria considerado trabalho de homens adultos. Daniyar, um veterano de guerra ferido e traumatizado, tem que ajudá-los.

O livro é romântico, não só por causa do enredo e da linguagem. Mas ele é contado como uma história do passado, por um Seit mais velho que agora é um artista. É sobre um amor de juventude, mas também sobre como foi essa experiência que o acordou para a arte. Ele ouvia as canções que Jamilia e Daniyar cantavam a caminho da estação e queria expressá-las, e a única forma que conseguia era desenhando-os. E ele achava que esses desenhos não eram bons porque faltavam materiais antes de saber que realmente existiam óleos e tubos de tinta. E, mais do que qualquer outro motivo, é por que ele se lembra dessa história e quer contá-la.

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