Um itinerário pela Petersburgo da Revolução Russa

Não importa qual seja sua posição política, não tem como não pensar na Rússia sem pensar na Revolução Russa. Quando os bolcheviques tomaram o poder, mudaram para sempre a história do mundo, e é por isso que até hoje quem vai para lá quer conhecer os lugares relacionados com a sua história. E ela está relacionada com Petersburgo, a cidade que os últimos tsares odiavam porque consideravam-na rebelde e atéia. No século XIX, ela ficaria conhecida como a cidade das três revoluções (a de 1905, a de fevereiro de 1918 e a de outubro de 1918). Depois ela seria relegada, com Moscou voltando a ser a capital, e não são poucos os que acham que até os bolcheviques temiam o seu potencial revolucionário.

Então aqui está um pequeno roteiro de lugares importantes durante a revolução e o comunismo por Petersburgo.

 

Estação Finlândia

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Com a repressão à Revolução de 1905, quando os operários passaram a se reunirem em conselhos (sovietes), a maioria dos seus líderes foi preso ou se exilou. Lênin não foi exceção, e passou grande parte do seu tempo na Suíça, estudando os teóricos do marxismo. Em meio à Primeira Guerra mundial, os alemães fizeram uma oferta de mandá-lo de volta à Rússia, já que os bolcheviques eram o único partido disposto a tirar a Rússia da guerra. Isso gerou a lenda de que ele voltou de “trem blindado”. Na Rússia, as estações tem o nome do destino dos trens, e, como ele voltou pela Finlândia, chegou pela Estação Finlândia. Isso se tornou uma lenda tão grande para o comunismo mundial que o livro de Edmund Wilson sobre o comunismo antes da URSS se chama justamente Rumo à Estação Finlândia. Às vezes eles te deixam ver o trem do Lênin, ainda na estação, às vezes só permitem o acesso para quem tem bilhete, por questões de segurança. Não consegui ver, mas achei interessante ver que na Rússia ainda têm estátuas de Lênin e praças com seu nome (depois achei outras pela cidade).

 

Cruzador Aurora

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O Aurora era um cruzador famoso, que tinha servido ao país durante a guerra Russo-Japonesa. Durante a Revolução Russa ele se tornou famoso por disparar o primeiro tiro, dando o sinal que a revolução começava. Ele seria usado ainda na Segunda Guerra, como parte dos esforços para quebrar o cerco de Leningrado, mas depois se transformou em um museu, e ainda hoje pode ser visitado, ancorado na ilha Petrogradski.

 

Palácio de Inverno

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O Palácio era onde moravam os tsares da Rússia desde a construção de Petersburgo. Na época da Revolução, a família imperial já morava há anos em palácios ao redor da cidade, o que não é uma surpresa: Nicolas II odiava Petersburgo. Em 1905, foi para onde a população se voltou, cantando deus salve o tsar e implorando por pão, sem saber que ele não estava lá. Ao invés disso, os guardas promoveram um massacre.

O Palácio ainda era o símbolo do poder dos tsares, e por isso durante a Revolução de Fevereiro o governo provisório se estabeleceu lá, no Salão de Malachita. O palácio foi cercado durante a Revolução de Outubro, com os canhões do cruzador Aurora e da Fortaleza de Pedro e Paulo, já tomada, apontados contra ele. O governo provisório já tinha fugido, algumas horas antes, então não foi difícil para os bolcheviques tomarem o palácio.

Hoje ele abriga o museu do Hermitage, e por isso está aberto para visitação.

 

Instituto Smolni

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Antes da Revolução, Smolni era considerado uma das igrejas mais bonitas da cidade, uma jóia Rococó construída por Rastrelli, que incluía um convento e uma escola para moças nobres. Deixada vazia com a Revolução, ela se tornou a sede do governo soviético, e ainda serve como sede do governo da província de São Petersburgo (que, aliás, ainda tem o nome soviético de Leningrado).

 

Casa Kschessinska

A Casa Kschessinska foi construída pela bailarina de mesmo nome, amante do tsar Nicolas II, e era conhecido como um dos melhores exemplos de Art Nouveau do norte em São Petersburgo. Quando ela fugiu da Rússia, a casa foi usada pelos bolcheviques. Lênin deu vários discursos famosos da varanda. Hoje ela é o Museu de História Política, com reconstruções que mostram como era a casa durante a União Soviética.

 

Museu Kirov

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Kirov era um revolucionário de São Petersburgo, muito ligado a Stalin. Ele foi favorável a mesmo suas medidas mais radicais, como a industrialização forçada e às coletivizações que geraram fome na Ucrânia. Quando Kirov foi assassinado, isso foi o pretexto de uma onda de repressão que atingiu grande parte do partido, inclusive Trotski. Hoje, muitos historiadores acham que o assassinato foi obra do próprio Stalin, paranóico com qualquer um que chegasse muito alto dentro do partido.

 

Monumento aos Defensores Heróicos de Leningrado

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Stalin odiava Petersburgo e não confiava em seus habitantes. Onde os tsares tinham visto uma cidade revolucionária, ele via a cidade dos tsares. Por isso ele pretendia mudar a cidade para o sul, onde ele fez construir um bairro no estilo que depois seria chamado de stalinista – pense em prédios bolos de noiva no estilo de Moscou. Aliás ele se chama Moskovski.

E é lá que fica o monumento aos defensores de Leningrado, aos que lutaram durante quase 900 dias para que a cidade não fosse tomada pelos nazistas. É uma versão da história da cidade – no centro de Petersburgo, a gente vê outras, mas vou falar disso em outros posts.

 

Monumento às Vítimas de Repressão Política

Um dia, quando eu estava andando às margens do rio Nevá, vi um prédio que parecia uma igreja de tijolos, um estilo inusitado. Do meu lado da margem, notei umas esfinges, mas nada que chame muito a atenção, quantas esfinges decorativas eu vi em Petersburgo. Mas aí resolvi vê-las de perto e notei que as esfinges tinham metado do rosto desfeito, como caveiras, e estavam cheias de inscrições de vítimas da repressão, como Anna Akhmatova (que tem uma estátua lá do lado) e Ossip Mandelstam. Era uma estátua às vítimas de repressão política, o que significava que o prédio que eu estava admirando era Kresty, a maior prisão da Europa. O monumento foi colocado em frente a ela, como ficavam os petersburguenses que tentavam desesperadamente receber notícias de amigos e família.

 

É esse o roteiro, espero que vocês curtam.

 

 

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